sábado, 16 de fevereiro de 2013

SUSPENSE - PARTE 16

GUERRA AO TERROR
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REDE DE MENTIRAS
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MOBY DICK
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A HORA MAIS ESCURA
CRÍTICA: Os efeitos que a guerra tem sobre seus soldados já foram mostrados em diversos filmes. A diretora Kathryn Bigelow mostrou como a vida um soldado pode ser modificada para sempre nos últimos minutos de Guerra ao Terror (convenhamos, é a única parte realmente boa do filme). Ela retoma esse tema em A Hora Mais Escura (tradução acertada de Zero Dark Thirty, um termo militar que explica o momento quando a noite fica escura, o que favorece uma ofensiva).
A trama acompanha Maya (Jessica Chastain, de Histórias Cruzadas e A Àrvore da Vida), agente da CIA que chega ao Paquistão em 2001 para auxiliar na investigação que tenta encontrar Osama Bin Laden. A busca se tornará uma obsessão que perdurará por anos e envolverá tortura, burocracia, pistas falsas e culminará na já conhecida morte do terrorista em 2011.
Bigelow aprofunda a discussão sobre os efeitos que as guerras modernas (lutadas mais por computadores do que por soldados) tem sobre os envolvidos. Qualquer movimento precisa ser pensado, planejado, avaliado e discutido via planilhas, em substituição ao caos que a guerra representava antes da primeira invasão americana ao Iraque (que foi televisionada e teve até fogos de artifício). Maya é uma mulher de ação e intuição, e ficar nas mãos de burocratas que "avaliam estatisticamente" as chances de um alvo estar correto é horrível para ela.
Jessica Chastain está ótima, e a forma como sua personagem evolui de uma novata em campo até uma mulher completamente segura de si e obcecada por seu objetivo é muito bem conduzida.
O roteiro evita clichês como "a mulher que precisa se provar num mundo de homens" ou até mesmo um envolvimento romântico da protagonista. Essa opção é muitíssimo bem-vinda.
A diretora Bigelow realiza um filme que apresenta imagens impressionantes. As cenas de tortura são fortes e o filme ousa ainda mais, defendendo a ideia de que ela era uma ferramenta necessária (fácil perceber porque a CIA está defenestrando a produção). Quando um vídeo do presidente Obama surge numa tv e diz que "não admite qualquer uso de tortura", a ferida é ainda mais cutucada.
Trabalhando num registro extremamente realista e conectando fatos como o atentado em Londres, A Hora Mais Escura pode até oferecer alguns momentos um pouco tediosos (muitos interrogatórios e nomes vem e vão), mas em geral a condução é segura e eficiente.
Ao final, quando a casa onde supostamente Osama estaria escondido é invadida, o filme muda. Soldados, tiros, visão-noturna, gritos e choro invadem a tela em sequências impressionantes que provam o talento de Bigelow para a ação e o suspense. Mesmo que saibamos como tudo acaba, é de tirar o fôlego.
Ao final, o olhar vazio de Maya reflete a crise do soldado vivido por Jeremy Renner em Guerra ao Terror. Após anos sugados por um universo violento e opressivo, os personagens simplesmente não sabem mais como viver fora dele.

PS: Parabéns ao tradutor que transformou a frase de Maya "I'm not that kind of girl" em "Eu não sou uma piriguete". Parabéns MESMO!

Um comentário:

  1. um dos textos que mais gostei de ler por aqui. construção e opinião!

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