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sábado, 29 de junho de 2013

COMÉDIA - PARTE 62

APERTEM OS CINTOS - O PILOTO SUMIU
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MULHERES À BEIRA DE UM ATAQUE DE NERVOS
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O ANJO EXTERMINADOR
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OS AMANTES PASSAGEIROS
CRÍTICA: Nos últimos anos o cineasta espanhol Pedro Almodóvar lançou filmes dramáticos que conquistaram a crítica "séria" como A Pele Que Habito, VolverFale com Ela e A Má Educação. Mas ele começou dirigindo comédias absurdamente exageradas como Maus Hábitos e Mulheres à Beira de um Ataque de Nervos. Agora ele resolveu revisitar o passado neste Os Amantes Passageiros.
Na trama, um avião que está passando por dificuldades técnicas é impedido de pousar e precisa ficar voando em círculos. A tripulação e os passageiros vão discutindo seus dramas enquanto aguardam a resolução do impasse.
Almodóvar junta no espaço confiando de uma aeronave uma quantidade enorme de tipos afetados e malucos e explora os extremos das relações entre eles. Temos a equipe de comissários de bordo (todos gays)  uma mulher que afirma ser vidente, uma mulher paranóica que pensa que a falha do avião é um atentado contra sua vida, o piloto bissexual, o co-piloto sexualmente confuso... 
Aliás, a questão sexual é central no filme, uma vez que todos os personagens, de alguma forma, tem algo a dizer e fazer a respeito.  E Almodóvar, como sempre, não tem medo de mergulhar no assunto, recheando a tela de diálogos de duplo sentido, palavrões, momentos de sexualidade extremamente gráfica (alguns podem ofender espectadores mais sensíveis).... além de muito, mas MUITO humor gay.
Tudo isso misturado em um enredo que brinca com alguns elementos clássicos do filme-catástrofe (até a cena da histérica esbofeteada está presente).
O elenco está ótimo, com destaque para Javier Cámara (Fale com Ela) e Cecília Roth (Tudo Sobre Minha Mãe). Todos muito afinados e tornando aquelas figuras bizarras verossímeis.
Almodóvar consegue tirar grande proveito do espaço do avião, filmando de ângulos inusitados e usando a edição para dar dinamismo ao filme (destaque para o divertidíssimo número musical).
O filme só perde um pouco de ritmo quando cenas externas aparecem. As tramas em terra (relacionadas com os passageiros) nunca são interessantes e ficamos torcendo para voltar logo até a aeronave. Apresentando um ambiente nonsense onde os passageiros parecem todos se conhecer a muito tempo e se relacionam com grande intimidade, a produção perde com essas inserções do "mundo real".
Os Amantes Passageiros pode não ser um comédia brilhante como aquelas que o cineasta realizou nos anos 80, mas é divertido e vale a conferida. Nem que seja para conferir a engraçadíssima performance musical de "I'm So Excited".

domingo, 23 de junho de 2013

COMÉDIA - PARTE 61

HAIRSPRAY - EM BUSCA DA FAMA
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MÃE É MÃE
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MINHA MÃE É UMA PEÇA
CRÍTICA: O ator Paulo Gustavo atingiu grande sucesso no teatro, tv e internet com a personagem Dona Hermínia (inspirada em sua própria mãe), estrela do espetáculo Minha Mãe é uma Peça. Como acontece com frequência, era apenas questão de tempo até a personagem invadir as telonas do cinema.
Minha Mãe é uma Peça - O Filme acompanha o cotidiano de Dona Hermínia com seus dois filhos, o ex-marido e os vizinhos do prédio. Quando escuta por acaso os filhos dizendo que acham a mãe uma chata e preferiam viver com o pai e a nova madrasta, Hermínia magoa-se e refugia-se na casa da tia. Enquanto ela relembra sua vida, os filhos passarão grandes apertos sem a mãezona para cuidar deles.
E é esse fiapinho de roteiro que sustenta os 80 minutos da história. O filme então assume uma estrutura de esquetes (conhecemos os filhos, o marido, os vizinhos...) e volta e meia voltamos para a trama principal. Porém, como o  grande barato é assistir Gustavo dominar a tela com sua personagem nervosa, politicamente incorreta e engraçadíssima, isso não chega a ser um defeito grave.
Os jovens Rodrigo Pandolfo e Mariana Xavier tem até um bom destaque como os filhos Juliano e Marcelina (esta última é vivida nos flashbacks pela adorável Anna Karolina Lannes, a Ágata de Avenida Brasil), mas a maioria dos coadjuvantes como Ingrid Guimarães, Samantha Schmutz e Herson Capri não fazem nada além de servir de escada para Gustavo. Destaque também para a ótima Suely Franco, deliciosa como a tia Zélia.
O roteiro é meio torto em seus propósitos (só a falta de comida faz os filhos sentirem falta da mãe?) e as piadas se apoiam basicamente na intolerância de Hermínia (ela não admite que o filho é gay, fugindo sempre do assunto quando ele quer conversar). Mas não é que funciona?
Gustavo domina a cena de tal maneira que a risada surge naturalmente, perdendo um pouco de força apenas no alongado epílogo.
E ainda presta uma bela homenagem para todas as mães. Um momento do filme, surpreendentemente, me arrancou algumas lágrimas. Talvez porque eu sempre chore quando veja mães tristes (toda vez que Dona Nenê fica chateada em A Grande Família eu choro um pouco), mesmo que essa mãe seja um homem vestido de mulher.
E ao final, a verdadeira Hermínia aparece para termos certeza de que Paulo Gustavo não inventou nada. Minha Mãe é uma Peça não é a melhor comédia do ano (longe disso), mas vale uma espiada nem que seja para ver um ator no domínio perfeito de seu personagem.

sábado, 16 de março de 2013

COMÉDIA - PARTE 60

A SOMBRA DO VAMPIRO
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PSICOSE
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HITCHCOCK
CRÍTICA: O inglês Alfred Hitchcock é um dos diretores mais importantes da história do cinema. Sua capacidade de manipular o espectador garantia que uma ida a sala escura seria recompensada com sustos, tensão e gargalhadas. Dirigiu 54 longas dentre os quais podemos citar clássicos incontestáveis como Os Pássaros, Janela Indiscreta, Intriga Internacional, Festim Diabólico, Pacto Sinistro, O Homem Que Sabia Demais, Um Corpo Que Cai... Bom, isso só pra começar. E não podemos esquecer o espetacular Psicose, cujo bastidores são a base para a trama de Hitchcock.
O filme romantiza todo o processo de produção da adaptação do livro Psycho para as telas, passando por todas a incredulidade do estúdio, a filmagem em si e o sucesso acachapante que teve em sua estréia. O coração do filme, porém, é a relação de Hitchcock (Anthony Hopkins, de O Silêncio dos Inocentes) e sua esposa e confidente Alma (Helen Mirren, de A Rainha).
O foco da narrativa aprofunda esta relação, mostrando de maneira nunca vista antes como ela era importante para o processo do cineasta, interferindo diretamente até na famosa cena do chuveiro.
A abordagem do roteiro é claramente fantasiosa, criando inclusive um quase "affair" para Alma, o que teria levado seu gorducho marido a um colapso nervoso. A fantástica abertura do filme, que cita a série Alfred Hitchcock Presents já dá o tom: o que vemos aqui é uma ficcionalização dos fatos, não um relato biográfico realista. A sucessão de acontecimentos visa o riso, o drama e o suspense, assim como o próprio Hitchcock fazia tão bem.
Desta forma, o roteiro do filme (baseado no livro Alfred Hitchcock e os Bastidores de Psicose, de Stephen Rebello) permite-nos presenciar quiprocós verdadeiros (como a polêmica envolvendo o aparecimento de uma privada no filme, algo impróprio para a censura da época) até coisas que parecem improváveis (teria Alma convencido Hitch a usar música na cena do chuveiro?).
Mirren entrega uma interpretação emocionante como Alma, uma mulher forte e resignada que aceita seu papel na vida pública do marido famoso. Hopkins, por outro lado, pesa um pouco a caricatura e não nos envolve como deveria. Os momentos realmente dramáticos do personagem não convencem (os delírios com  o assassino Ed Gein até que funcionam bem), embora as situações de humor sejam muito bem resolvidas.
O elenco coadjuvante conta com as participações eficientes de Scarlett Johansson (Vicky Cristina Barcelona) como Janet Leigh, Jessica Biel (do remake de O Vingador do Futuro) como Vera Miles, Toni Collette (O Sexto Sentido) e Danny Houston (21 gramas). Repare também na rápida participação de Ralph Macchio (o Karate Kid em pessoa) como o roteirista John Stephano.
Toda a reconstrução da época e dos bastidores do filme é belamente executada, e é um deleite entrar nos sets recriados com grande exatidão.
Repleto de referências que farão a festa dos fãs, o filme pode não oferecer um retrato preciso do diretor, mas diverte em sua totalidade e emociona quando Helen Mirren toma conta da tela.
Fica até a dúvida: seria o Hitchcock do título na verdade destinado a Alma?

domingo, 3 de março de 2013

COMÉDIA - PARTE 59

UMA RAJADA DE BALAS
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UMA LIÇÃO DE AMOR
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COLEGAS
CRÍTICA: Diversos atores já receberam muitos prêmios interpretando personagens com necessidades especiais. Dustin Hoffman fez Rain Man, Sean Penn fez Uma Lição de Amor (e Ben Stiller parodiou brilhantemente esse tipo de trabalho em Trovão Tropical). Raramente, porém, vemos atores que realmente possuem essa condição nas telonas. E Colegas chega para dar-lhes o status de protagonistas.
Na trama, os jovens portadores de Síndrome de Down Stallone (Ariel Goldenberg), Aninha (Rita Pokk) e Márcio (Breno Viola) fogem com um carro da instituição onde vivem e saem numa jornada inspirada em Thelma & Louise: cometendo assaltos, divertindo-se e buscando realizar o sonho de cada um deles. A perseguição policial e midiática logo se instaura, e o três se tornam procurados em todos o país.
Um dos diferenciais do filme é que, obcecado por cinema, Stallone realiza todos os crimes utilizando frases famosas de filmes como Pulp Fiction. E essa é uma das inúmeras referências cinematográficas que abundam durante a projeção.
O diretor Marcelo Galvão (que teve um tio com Síndrome de Down) conta sua história em ritmo de road-movie e com tons de fábula.
A bela fotografia dá o tom necessário para a parte "mágica" da narrativa, enquanto os enquadramentos abertos e que centralizam os personagens lembram os filmes do diretor Wes Anderson (Moonrise Kingdom, Os Excêntricos Tenenbaums).
O trio de protagonistas é extremamente carismático e talentoso, emocionando e divertindo em diversos momentos da película.
O grande problema do filme é o roteiro, que fica "empurrando" piadas para cima do espectador. A dupla de policiais que persegue os jovens fugitivos é chata, histriônica e sem graça. Eles ainda possuem uma sub-trama envolvendo a implicância com um outro policial que não acrescenta nada a história. Sem contar o momento absolutamente vexatório que tenta parodiar Psicose. Um completo equívoco.
As intervenções da mídia, apesar de exageradas, ainda divertem pelo tom "jornalismo sensacionalista" que imprime em suas aparições.
Mas nada salva a narração do filme, feita pelo personagem de Lima Duarte. Desnecessária, intrusiva, monocórdica e redundante, ela parece tratar o espectador  como um idiota na maioria das vezes. Exemplo: quando um personagem tem um óbvio flashback, a narração diz que "Naquele Momento, Fulano lembrou-se de tudo que havia acontecido até então".
É uma pena que o diretor tenha achado necessárias tantas coisas (sub-tramas, narrações, piadas fora do lugar) para complementar a simples e bela historia de seus protagonistas. Enfrentando suas próprias limitações (e o preconceito do mundo exterior, que aparece em vários momentos), Stallone, Aninha e Márcio nos conquistam rapidamente e emocionam de maneira genuína quando estão sozinhos na tela. Pena que o filme esteja tão cheio de distrações.

terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

COMÉDIA - PARTE 58

TERRA DOS MORTOS
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CREPÚSCULO
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TODO MUNDO QUASE MORTO
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MEU NAMORADO É UM ZUMBI
CRÍTICA: Os zumbis evoluíram. Desde que receberem sua caracterização mais conhecida pelas mãos de George A. Romero em A Noite dos Mortos-Vivos, eles passaram a correr (Extermínio) e até pensar de maneira organizada (em Terra dos Mortos, do próprio Romero). Também atingiram o auge de sua popularidade na série The Walking Dead, consolidando-se como fenômeno pop. Meu Namorado É um Zumbi propõe um passo além nessa evolução: agora os mortos-vivos podem amar.
Na trama, o zumbi R (Nicholas Hoult, o Fera de X-Men: Primeira Classe) passa seu dias caminhando, contemplativo, por entre outros zumbis. Até que conhece a jovem humana Julie (Teresa Palmer, de Eu Sou o Número Quatro, uma versão loira de Kristen Stewart) e se descobre capaz de se apaixonar. A relação entre os dois vai causar grandes mudanças em todos os zumbis existentes e no que restou da raça humana.
O roteiro, baseado no livro de Issac Marion, pode a primeira vista parecer uma tentativa de emular o sucesso da saga Crepúsculo. Não li o livro, mas o filme aponta, felizmente, para outra direção: o humor.
Longe de almejar o caráter épico da jornada de Bella e Edward, este filme ganha pontos pela despretensão e pelo ridículo que ele entende perfeitamente possuir.
Seja na irônica narração do zumbi R, no exagerado militarismo representado pelo pai de Julie (John Malkovich, de Quero Ser John Malkovich), nas citações a Romeu e Julieta ou nas hilárias intervenções da amiga Nora (Aneleigh Tipton, de Amor a Toda Prova), o filme entende o quanto é absurdo.
Ponto para o diretor Jonathan Levine (50%), que consegue transformar situações que podem irritar profundamente os "puristas" (zumbis que falam, beijam, ouvem discos de vinil e guardam comida para mais tarde) em uma engraçada brincadeira
Claro que nada disso é novidade. O ótimo Todo Mundo Quase Morto (Shaun of the Dead) já parodiou o universo dos zumbis e suas relações com a mediocridade da rotina humana de maneira mais inventiva e original.
Ao final, porém, a sensação de ter presenciado uma zoação assumida torna a experiência divertida.
Para os jovens, a moral de inclusão, aceitação das diferenças e o jargão "só o amor constrói" podem servir para alguma coisa. Os zumbis, quem diriam, agora podem servir como contos morais para criancinhas. A evolução continua...



quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

COMÉDIA - PARTE 57

MELHOR É IMPOSSÍVEL
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PEQUENA MISS SUNSHINE
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VEM DANÇAR COMIGO
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O LADO BOM DA VIDA
CRÍTICA: Já temos o "pequeno filme indie simpático de 2013". Seguindo a tradição de produções como Juno e Pequena Miss Sunshine, este O Lado Bom da Vida traz uma leva de personagens carismáticos e disfuncionais que vão, de alguma maneira, encontrar seu lugar no mundo e se entender.
A trama acompanha o jovem Pat (Bradley Cooper, de Se Beber Não Case), um cara bipolar que acaba de sair de oito meses de reclusão numa clínica após um surto de fúria que resultou na sua separação da esposa Nikki. Morando com os pais, ele conhece Tiffany (Jennifer Lawrence, de Jogos Vorazes), uma mulher agressiva que tem dificuldades em superar a morte do marido. Os dois acaba desenvolvendo uma relação que supera o estranhamento inicial e leva-os a um projeto em comum.
O diretor David O. Russel (O Vencedor) é extremamente hábil na condução da narrativa, tirando ótimas interpretações do elenco e filmando as longas discussões (o roteiro é cheio de boas tiradas) das personagens de maneira que parece nos inserir na própria ação.
O elenco está extremamente à vontade, rendendo deliciosas performances. Cooper e Lawrence tem uma química impressionante e brilham em seus papéis. Confesso que inicialmente achei suas personagens um pouco irritantes, mas logo fui conquistado pelo talento dos intérpretes.
O elenco coadjuvante tem boas participações Jacki Weaver (Reino Animal) e Chris Tucker (A Hora do Rush), além de um ótimo trabalho de Robert De Niro (Táxi Driver). É um alívio vê-lo num bom papel após todos os execráveis Entrando Numa Fria.
Agradável, divertido e redentor, O Lado Bom da Vida fará você sair do cinema se sentindo muito bem, como que "acreditando que todos tem seu lugar no mundo". Mas aí você lembrará da quantidade de prêmios que o filme tem recebido e vai se perguntar: "O filme é isso tudo mesmo?"

terça-feira, 6 de novembro de 2012

COMÉDIA - PARTE 56

STRIPTEASE
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BURLESQUE
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OU TUDO OU NADA
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TRAFFIC
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MAGIC MIKE
CRÍTICA: Quando alguém cita filmes sobre strippers, a primeira coisa que me vem na cabeça é a bomba Striptease, mastodôntico e vexatório filme estrelado por Demi Moore em 1996. Porém, é inegável que este universo atrai grande curiosidade, e por isso o tema está sempre de volta as telas. Desta vez, sob a batuta do diretor Steven Soderbergh (Traffic, Onze Homens e Um Segredo).
Na trama,  Mike (Chaninng Tatum, de Anjos da Lei) é um rapaz que, em meio a recessão, tem diversos empregos enquanto tenta juntar dinheiro para realizar seu sonho de abrir uma loja de móveis sob encomenda. Um destes empregos é como "Magic Mike", personagem de um clube de mulheres. Ele conhece o o jovem Adam (Alex Pettyfer, de Eu Sou o Número Quatro) e lhe introduz neste mundo onde a grana e as mulheres vem, aparentemente, com facilidade. A amizade levará Mike a conhecer a irmã de Adam, Broke, e a reavaliar suas perspectivas de vida.
A fauna do clube tem ainda o chefão Dallas (Matthew McConaughey, de Tempo de Matar), Big Dick Richie (Joe Manganiello, de True Blood), Ken (Matt Bomer) e Tito (Adam Rodriguez), cada um encarnando um tipo diferente de "homem-fantasia".
O mais curioso do roteiro é que ele é inspirado na vida do próprio Tatum, que foi stripper antes de virar ator. Claro que algum produtor logo quis levar essa história para as telas. No roteiro, o personagem Adam é que representa Tatum, mostrando seu período de novato.
A trama é rala, resvalando em diversos clichês de filmes de superação e "amizade masculina".
O que conta aqui é o espetáculo. E é um espetáculo para um público específico.
As cenas de apresentação do clube se encarregam de exibir em diversos detalhes os musculosos e bem-definidos corpos do elenco principal, sempre relacionando-os com algum fetiche clássico (bombeiros, soldados, policiais...).
Tatum mostra um requebrado impressionante e o resto do elenco não fica atrás neste quesito.
No quesito atuação, o elenco entrega o básico. Tatum está muito simpático e até convence nos momentos dramáticos, enquanto Pettyfer entrega uma boa performance como o novato deslumbrado. Quem dá show é McConaughey, exercitando sua canastrice como nunca e divertindo-se a valer.
O filme só peca no último ato, quando a história torna rumos muito dramáticos. Felizmente a conclusão não é moralista, o que tornaria o filme insuportável.
Até lá, a diversão está garantida, para o deleite de seu público-alvo.
Ou seja: Chame uma turma de amigas/amigos gays e prepare-se para duas horas de risos, gritinhos e sacanagem. Mas deixe o coitado do seu namorado hétero em casa...

terça-feira, 25 de setembro de 2012

COMÉDIA - PARTE 55

BRINQUEDO ASSASSINO
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JACK FROST
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QUEM VAI FICAR COM MARY?
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TED
CRÍTICA: No final dos anos 90 o mundo das comédias tomou uma bela sacudida com o sucesso acachapante de Quem Vai Ficar Com Mary?, dirigido pelos Irmãos Farrelly. Voltada para o público adulto e sem medo de piadas grosseiras, a produção arrecadou uma fortuna e virou referência de humor. Mas o tempo passou e os Farrelly amoleceram (seu último filme, Os Três Patetas, nem tem data por aqui). Na última década o cetro do politicamente incorreto foi assumido por Seth MacFarlane, criador das séries animadas Family Guy, American Dad e The Cleveland Show. E Ted é sua estreia no mundo do live-action.
Na trama, John (Mark Wahlberg, de Boggie Nights) tem 35 anos e vive com seu ursinho, que ganhou vida graças a um desejo feito aos oito anos de idade para uma estrela cadente. O problema é que Ted (interpretado pelo próprio MacFarlane através de motion-capture) é beberrão, vive chapado e tem uma queda por prostitutas, o que põe em cheque a relação de John com a namorada Lori (Mila Kunis, de Cisne Negro... e que dubla a Meg em Family Guy). Agora ambos terão que amadurecer para que a relação de John e Lori seja preservada.
Ted é um personagem muito carismático, e nem preciso discutir aqui que a tecnologia que dá vida ao ursinho é perfeita (desde o Gollum de O Senhor dos Anéis a técnica de motion-capture melhora cada vez mais).
Sua relação com o personagem de Wahlberg é sempre autêntica, levando-nos desde o início a acreditar naquela amizade de "garotos crescidos". O roteiro não faz grandes elocubrações sobre como Ted ganhou vida, e o filme só tem a ganhar com essa naturalidade.
Porém, é no humor que Ted tem seu grande trunfo. As piadas vão do humor politicamente incorreto dos diálogos, passando pelo escatológico até o absurdamente idiota. Posso afirmar que Ted é, basicamente, um episódio esticado de Family Guy. Temos flashbacks bizarros, referências diversas a cultura pop de ontem (Flash Gordon!) e de hoje (Kate Perry!), alguma nojeira, MUITA nerdice, participações especiais inesperadas e até mesmo uma cena que homenageia as clássicas lutas de Peter Griffin com o homem vestido de galinha. MacFarlane se dá ao luxo até de parodiar Apertem os Cintos, o Piloto Sumiu. Ou seja: ele parodia uma paródia. Genial!
Somente no terceiro ato o humor sai um pouco de cena para termos uma dose de suspense. Mas é bem pouco, não se preocupe...
Ted é um sucesso acachapante de bilheteria e já tem uma continuação prometida para breve. Que MacFarlane não amoleça e deixe de nos surpreender com suas grosserias chocantes... Se bem que, pelo que temos visto em 11 anos de Family Guy, eu não me preocuparia.


terça-feira, 18 de setembro de 2012

COMÉDIA - PARTE 54

MAR ADENTRO
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CONDUZINDO MISS DAISY
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INTOCÁVEIS
CRÍTICA: De vez em quando surge um filme estrangeiro (e não americano) que se torna o queridinho do momento. Aqueles filme francês, alemão, argentino, espanhol ou mexicano que todo mundo precisa ver. Isso é bom, pois desta maneira temos acesso a filmes que normalmente só veríamos na locadora. A bola da vez é o francês Intocáveis.
A trama (baseada numa história real) parte das memórias de rico empresário paraplégico Phillipe (Francois Cluzett) e um imigrante senegalês contratado para ser seu auxiliar, Driss (Omar Sy).
Esse choque de universos resulta numa amizade honesta e profunda, servindo para que ambos lidem com certos fantasmas de seus passados e cotidianos.
E o que poderia resultar num dramalhão digno do Super-Cine torna-se um relato comovente, sincero e muito engraçado desta relação.
A maneira como Driss lida com a paraplegia de Phillipe vai até as raias do politicamente incorreto (a cena do chá é uma pérola) e pode chocar pessoas mais sensíveis (o que é uma pena, pois acho essa atitude meio hipócrita). Inclusive o filme foi acusado, em alguns países, de preconceituoso. Eu acho que essa gente mal-humorada deveria procurar um terreno pra carpir...
O tristonho Phillipe ganha um novo sopro de vida graças ao auxiliar, que lhe apresenta alguns prazeres mundanos, enquanto Driss ganha um guia para colocar sua complicada vida de volta nos eixos.
O excelente trabalho da dupla é a alma do filme, rodeada por um série de ótimos coadjuvantes. Sem dúvida um dos melhores elencos do ano e que brilha na tela.
Intocáveis é um filme bonito, com ótimas interpretações e que, felizmente, não tenta ser "uma lição de vida". O importante é a amizade entre os dois, sem didatismo e falsos moralismos.
Porém, confesso que não achei o filme tão maravilhoso quanto a mídia vem pintando. Tornou-se recentemente a maior bilheteria da história do cinema francês, ultrapassando o superior (na minha opinião) O Fabuloso Destino de Amélie Poulain. Mas eu não estou reclamando. Afinal, o recorde foi quebrado por um filme de muitas qualidades. E isso está bom demais.

domingo, 26 de agosto de 2012

COMÉDIA - PARTE 53

TROCANDO AS BOLAS
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O GRANDE DITADOR
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UM PRÍNCIPE EM NOVA YORK
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O DITADOR
CRÍTICA: Sacha Baron Cohen foi domesticado por Hollywood. Após o inusitado sucesso de Borat e seu estilo "fico na personagem e engano todo mundo" e da repetição do mesmo estilo em Bruno, o comediante rendeu-se ao formato tradicional de uma comédia. Ou seja: saem as intervenções com incautos e entra... bem... um roteiro com começo, meio e fim (diferente de Borat, cuja linha narrativa se baseava apenas em encontrar a "atriz" Pamela Anderson. Desculpem as aspas em "atriz", mas você já viram a Pamela Anderson em cena?). O estilo tornou o ator famoso no mundo todo. E isso, obviamente, impede-o de enganar uma grande parte das pessoas com seus pegadinhas constrangedoras (e hilárias). Por isso, a sua incrível habilidade de caracterização de personagens é seu maior trunfo em O Ditador.
Na trama, o general almirante Alladeen (o próprio Sacha) é o ditador de um país fictício que precisa ir até os EUA discursar na ONU. Lá, sofre um golpe de seu primo (Ben Kingsley, de A Invenção de Hugo Cabret) e é substituído por um sósia estúpido (Sacha de novo). Na rua da amargura, conhece uma jovem ativista e ecologista (Anna Ferris, da série Todo Mundo em Pânico) e acaba encontrando o amor.
Claro que esta historinha é apenas uma desculpa para Sacha encher a tela com piadas politicamente incorretas, constrangedoras e nojentas (e engraçadíssimas).
Não sobra para ninguém (nem para as crocs. Qualquer filme que zombe delas tem um lugar no meu coração). A visão torpe do general garante tiradas chocantes ("Você está grávida? Que bom. Vai ter um menino ou um aborto?") que ganham enorme escopo na excelente composição de Sacha (que também está ótimo como o sósia retardado), enquanto Kingsley e Farris entram no jogo e servem como ótimos "escadas" para o comediante.
Mas não me entenda mal. Apesar de ter-se rendido ao formato "comum" de uma comédia, isso não significa que Sacha perdeu seu talento em criticar de maneira direta o american way-of-life. O discurso do general Alladeen no final do filme é um soco certeiro no estômago dos americanos e me deixou de queixo caído pela cara-de-pau do ator.
 O Ditador garante 80 minutos de ótimas risadas, mesmo que às vezes o filme pareça durar mais. Talvez agora Sacha precise aprender a trabalhar melhor seus roteiros para que certas "barrigas" na história não ocorram.
Mas não é nada grave. Repleto de piadas de cunho político, escatológico e, às vezes, ingenuamente idiota, O Ditador é um oásis no meio de tantas comédias bestas e repetitivas que vemos nos nossos cinemas


quinta-feira, 2 de agosto de 2012

COMÉDIA - PARTE 52

NOVE MESES
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SHORT CUTS - CENAS DAS VIDA
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O QUE ESPERAR QUANDO VOCÊ ESTÁ ESPERANDO
CRÍTICA: Um dos maiores clichês da comédia romântica é esse: você coloca diversos personagens (e como todos aparecem pouco, você consegue algumas estrelas por um bom preço) para dividir a tela em várias tramas paralelas dentro de um tema similar.
O último exemplar disso foi Noite de Ano Novo (que eu chamo de Transformers deste gênero). O Que Esperar Quando Você Está Esperando é o mais novo petardo do estilo.
Na trama, inspirada no best-seller homônimo, vários casais enfrentam todas as dificuldades da gestação de diferentes maneiras. Temos o casal que está tentando adotar, os jovens que ficam grávidos por descuido, um casal de celebridades, um casal de pessoas comuns e até o homem mais velho casado com uma jovem gostosa. Ou seja: vários pontos de vista que, eventualmente, vão se cruzar na telona.
O elenco é realmente estelar: Jennifer Lopez (Irresistível Paixão), Cameron Diaz (Professora Sem Classe), Elizabeth Banks (Jogos Vorazes), Matthew Morrison (da série Glee), Dennis Quaid (Viagem Insólita), Chace Crawford (da série Gossip Girl), Anna Kendrick (Amor Sem Escalas) e Rodrigo Santoro (Bicho de Sete Cabeças). E isso só pra ficar nos mais famosos.
O roteiro tem ótimas sacadas, como a paródia que realiza do mundo dos reality-shows (o programa apresentado pela personagem e Diaz é hilário) e o "clube dos pais", que mostra como um grupo de homens se comporta com seus filhos quando eles não estão olhando. Este último é uma ótima maneira de aproximar o público masculino da trama.
Referências a cultura pop e alguns personagens periféricos bizarros (como a assistente da personagem de Banks) dão um clima "moderninho" ao filme. Outro mérito de O Que Esperar Quando Você Está Esperando é não tentar se tornar "sério". Existem alguns draminhas, mas o bom-humor prevalece e o filme mantém a leveza.
Mesmo que esbarre em alguma piadas que você já ouviu antes (Grávidas peidando? Perdendo a pose falando um palavrão durante o parto?), o filme é bem agradável e com certeza rende duas horas descontraídas. Basta você não exigir demais.

PS: Desta vez Rodrigo Santoro tem uma participação realmente importante na trama. Sua química com Lopez é ótima e ele está muito bem no papel de pai inseguro.

segunda-feira, 2 de julho de 2012

COMÉDIA - PARTE 51

A DOCE VIDA
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UMA NOITE NA ÓPERA
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CELEBRIDADE
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UMA LINDA MULHER
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 PARA ROMA COM AMOR
 CRÍTICA: Woody Allen continua sua turnê pela Europa. A mesma já teve pontos altos (Match Point, Vicky Cristina Barcelona, Meia-Noite em Paris) e outros nem tanto (Scoop - O Grande Furo), ainda que divertidos.
Para Roma com Amor, felizmente, se enquadra na primeira categoria.
No filme, a câmera de Woody acompanha quatro histórias que se passam em Roma, falando de perda, amor, esperança, felicidade e... ópera.
Roberto Benigni (A Vida é Bela) brilha como um sujeito comum que vira celebridade do nada e passa a ser perseguido por todos os lados. É de um nonsense que remete ao "homem-fora-de-foco" de Desconstruindo Harry.
Também temos um casal do interior que se desencontra. Ele acaba tendo que fingir que uma prostituta (Penelope Cruz, de Vicky Cristina Barcelona) é sua esposa. Ela se vê perdida na cidade e envolve-se com um astro de cinema italiano. Um ótimo quipróco que rende grandes risadas.
A terceira história traz o próprio Allen conhecendo os pais romanos do noivo de sua filha. O pai do moço revela-se um exímio cantor de ópera, porém com uma inusitada pré-condição. Não vale a pena comentar (sem spoiler, tá?), mas é também uma história cheia de momentos de muito nonsense e aquelas piadas verborrágicas que somente o próprio Allen sabe como dizer.
Porém, qualquer filme que conta várias histórias corre o risco de apresentar um resultado irregular, e Para Roma Com Amor cai de leve nesta armadilha.
A trama "principal" (e digo isso porque ela toma mais tempo de tela que os outros), que fala de um jovem (Jesse Eisenberg, de A Rede Social) às voltas com uma paixão pela amiga (Ellen Page, de Juno) de sua namorada. A trama apresenta uma interessante mistura de memórias, tendo o personagem de Alec Baldwin (Simplesmente Complicado) como catalizador. Infelizmente, Page não cola como "garota irresistível e fútil", o que esvazia um pouco a trama, tornando-a arrastada. E há algo realmente errado quando uma trama que ocupa somente um quarto do filme torna-se arrastada.
Mas não fique muito preocupado. Mesmo esta trama tem bons momentos e diálogos maravilhosos.
As outras três histórias são divertidíssimas e nunca perdem o pique.
Roma está magnificamente linda e pulsa em cena, favorecida por uma trilha sonora perfeita (a música-tema é engraçada e logo cria uma relação afetiva como o espectador).
Se não é uma obra-prima como Meia-Noite em Paris, o filme ainda é uma excelente homenagem para uma das mais belas cidades do mundo. Vá de coração aberto e delicie-se.

sábado, 23 de junho de 2012

COMÉDIA - PARTE 50

EDWARD - MÃOS DE TESOURA
+
 NOSFERATU
+
SHAFT
+
A CASA AMALDIÇOADA
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SOMBRAS DA NOITE
CRÍTICA: O trailer de Sombras da Noite antevia um retorno do diretor Tim Burton ao universo de Os Fantasmas se Divertem e Edward - Mãos de Tesoura, mostrando o choque cômico/lírico entre o bizarro e o cotidiano familiar. Não é isso que acontece. E isso nem de longe significa que o filme é ruim.
Na trama, o vampiro amaldiçoado Barnabas Collins (Johnny Depp, o Edward em pessoa) passa 200 anos aprisionado e desperta em 1972. Agora ele precisa lidar com o choque cultural da época, conhecer sua nova família, salvar sua empresa da falência e ainda enfrentar a bruxa que o transformou (Eva Green, de Os Sonhadores).
O roteiro, escrito por Seth Grahame-Smith (autor de Orgulho e Preconceito e Zumbis) é baseado numa série de tv que eu nunca tinha ouvido falar, uma espécie de novelão sobrenatural que fez sucesso nos EUA entre 1966 e 1971. Daí a ambientação do filme manter-se nesta época, uma maneira de preservar o espírito do Dark Shadows original.
Burton redime-se da monstruosidade que foi Alice no País da Maravilhas e supreende quem esperava uma comédia rasgada.
Sim, o filme é cheio de ótimas piadas (uma delas me fez rir pelos 20 minutos seguintes) envolvendo as desventuras de Barnabas conhecendo a modernidade dos anos 70 e seus familiares esquisitos, mas o que predomina é um clima muito melancólico. Em alguns momentos, extremamente triste. Afinal, os personagens são todos almas torturadas que tentam lidar com sua própria natureza. Depp se sai muito bem equilibrando a ternura e a violência que sua condição de amaldiçoado lhe impõe (como é bom vermos um vampiro sanguinário nas telas...).
E se Barnabas é um vampiro, temos uma criança que conversa com o fantasma da mãe, uma médica alcóolatra, uma tutora que vê assombrações...
O elenco está ótimo. Além de Depp e Green (linda e divertindo-se pra valer), temos Helena Bonham Carter (outra habitué dos filmes de Burton), Michelle Pfeiffer (de Batman - O Retorno, esbanjando beleza e carisma), Chloë Moretz (a Hit-Girl de Kick-Ass) e Jack Earle Haley (de Watchmen).
Aí também reside o maior problema do filme: na ânsia de apresentar tramas relevantes para todos os personagens da família (o que acontece com tempo devido numa série de tv), o roteiro peca por não conseguir se aprofundar em quase nenhum. As tramas envolvendo o pai que pretende roubar as jóias da família e o segredo da doutora aparecem e se resolvem em cerca de duas cenas, parecendo gratuitas. A revelação do segredo de um personagem no clímax da produção gera um sentimento de "WTF", tamanha a estranheza que provoca. Somente a trama principal envolvendo Barnabas e sua nêmesis tem o devido cuidado.
A ambientação nos anos 70 também pode ser uma faca de dois gumes. Cheia de referências (muitas piadas se baseiam nelas) envolvendo a cultura da época, a guerra e os hippies, pode afastar o público mais jovem que não conhece o período. A platéia pode se sentir tão perdida quanto o próprio Barnabas.
Mas o filme é extremamente divertido e muito prazeroso. Cenários acachapantes, uma deliciosa trilha sonora e ótimas atuações garantem a sessão e reacendem minha fé no cineasta. Nessse passo, o vindouro Frankenweenie pode ser uma nova obra-prima.

NOTA:  A legendagem do filme omite várias piadas e destrói alguns trocadilhos. Se voce entende inglês, vai rir um pouco mais.