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sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

MUSICAL - PARTE 10

OS MISERÁVEIS
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EVITA
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OS MISERÁVEIS
CRÍTICA de Malcon Bauer: Meu primeiro contato com a obra de Victor Hugo Os Miseráveis deu-se através de uma adaptação em quadrinhos estrelada pelo Tio Patinhas. Acredito que tenha sido marcante, pois nunca esqueci o nome dos personagens. Porém nunca li o o livro, e não sabia até que ponto a história havia sido suavizada para uma HQ. No que concerne ao musical, minha maior lembrança é aquela que a maioria das pessoa tem: "I Dreamed a Dream" cantada por Susan Boyle. E é isso. Fui assistir ao filme tendo apenas visto algumas cenas da montagem teatral no Youtube e sabendo que a história não devia terminar como no gibi.
A trama se passa no século XIX, quando Jean Valjean (Hugh Jackman, de X-Men) é condenado a prisão por roubar um pão. Tentativas de fuga aumentam sua pena para 19 anos, sempre sob os olhos do inspetor Javert (Russel Crowe, de Gladiador). Após ganhar a liberdade condicional e fracassar na tentativa de uma vida honesta, Valjean é salvo por uma alma nobre e decide fugir e reinventar-se. Acaba tornando-se um homem rico e próspero. Mas novas tragédias vão atingir sua vida e ele vê-se cuidando da jovem Cosette, que jurou proteger. Com Javert sempre em seu encalço, Valjean tenta dar uma vida digna para a menina. E isso é apenas o começo da história, que ainda envolve a Revolução Francesa e engloba algumas décadas.
O diretor Tom Hopper (oscarizado por O Discurso do Rei) imprime a palavra "épico" em cada fotograma do filme. Cenários gigantescos, multidões de figurantes e uma belíssima fotografia se encarregam de apagar qualquer sensação de "teatro filmado" que uma produção assim poderia possuir.
A grandiosidade da produção reflete, desta forma, o interior das personagens. Afinal, Os Miseráveis é uma história que lida com amor, ódio, obsessão, vingança e justiça de maneira profundamente exacerbada.
Praticamente não existem diálogos, e os personagens raramente param de cantar.O que pode ser o céu e o inferno, dependendo de seu apreço por musicais. Meu conselho é: "se não gosta, fique longe!"
O elenco é grandioso, e quase que totalmente acertado. Jackman está maravilhoso como Valjean, homem que atravessa décadas com uma terrível culpa na alma. Seus solos musicais são extremamente emocionantes.
Anne Hathaway (Batman- O Cavaleiro das Trevas Ressurge) brilha como Fantine. Sua interpretação de "I Dreamed a Dream" (praticamente um plano fechado e sem cortes) é de cortar o coração e merece todos os prêmios que a atriz vem recebendo.
Sacha Baron-Cohen (Borat) e Helena Bonhan-Carter (Sweeney Todd) estão fabulosos como os aviltantes Thénardiers, um mais que bem-vindo alívio cômico no meio de tantas desgraças que permeiam a narrativa.
Sobram ainda ótimos momentos para Eddye Redmaine (Marius, o amor de Cossete), Samantha Barks (Epónine, filha dos Thenardier) e Daniel Huttlestone (o garoto de rua Gavroche).
As ressalvas ficam para Russel Crowe e Amanda Seyfried (Mamma Mia!). O primeiro, apesar de ter o porte para Javert, nunca transparece os conflitos internos do personagem, parecendo estar apenas recitando as letras e sem dar-lhes significado. Uma falha grave. Já a segunda apenas não apresenta o frescor necessário para Cosette (curiosamente ele tinha muito disso em Mamma Mia!), não comprometendo muito o resultado.
É preciso também citar a ousadia de Tom Hopper, que gravou todas as canções ao vivo no set de filmagem, ao invés da tradicional pré-gravação em estúdios. Um trabalho difícil, mas que possibilita aos atores pequenas sutilezas de interpretação (uma voz mais embargada e que pode soar como uma faca no peito da platéia) que podem até deixar as canções imperfeitas mas que acrescentam humanidade e até um certo "naturalismo" para o gênero.
Grandioso e redentor, Os Miseráveis é um espetáculo de encher os olhos... às vezes de lágrimas.

CRÍTICA de Vicente Concílio: A adaptação cinematográfica do musical Les Misérables é daquelas coisas que eu espero desde a primeira vez que assisti ao espetáculo, na sua versão brasileira, feito que eu repetiria ainda mais uma vez durante o ano em que ele esteve em cartaz em São Paulo, no antigo Teatro Abril.
Mas antes mesmo de estar diante do espetáculo, eu já conhecia suas músicas, em inglês, graças a dois CDs piratas que continham a obra completa.  Suas duas horas e meia de canções conformam um estilo de musical típico do West End londrino, que pode ser considerado uma ópera-pop contemporânea, e cujos maiores exemplos são os espetáculos de Andrew Lloyd Webber (Evita, O Fantasma da Ópera e Cats). Dessa maneira, eles são diferentes da tradição musical americana, em que canções se intercalam com números de dança, na qual a presença de diálogos  é constante.
Ou seja, esse Les Mis em tela grande é uma versão do musical, que por sua vez é baseado no grande romance de Victor Hugo, autor romântico francês que explorou, nessa obra, a relação entre a justiça e a lei através da perseguição de Jean Valjean pelo seu antagonista Javert. O primeiro é um ex-condenado que foge da condicional a fim de reconstruir sua vida enquanto o segundo, para fazer valer a força da lei, se confunde com o pior dos criminosos. Por meio dessa inversão de papéis, em que o herói é um ladrão regenerado e o vilão é um representante de suposta superioridade moral, Victor Hugo criou um verdadeiro jogo de gato e rato cujo contexto fundamental é uma Paris borbulhante politicamente, na qual jovens idealistas combatem a monarquia e tentam instaurar a república. Dessa forma, temas grandiosos como a liberdade, a justiça divina e a dos homens, o amor e a redenção permeiam toda a história.
O musical, portanto, exibe esse universo através de uma orquestração grandiosa, alternando hinos revolucionários a árias emocionantes, além de duetos amorosos e cenas cômicas, com notável apelo emocional da audiência. A versão teatral era construída sobre um palco giratório, oferecendo dinamismo às mudanças de espaço e ofereciam uma qualidade particular à encenação, pois as mudanças eram visíveis e incorporadas ao espetáculo, que fazia uso da teatralidade dessas trocas de maneira muito interessante.
Nesta adaptação cinematográfica, sutis mas importantes mudanças no libreto oferecem maior equilíbrio à narrativa. A grandiosidade das panorâmicas enfatiza que estamos diante de um material épico, imbuído temas sérios.  Inicialmente, tudo funciona: é arrepiante quando o protagonista, interpretado por Hugh Jackman, se depara com o Bispo, interpretado aqui por Colm Wilkinson, exatamente o primeiro ator a fazer o papel de Jean Valjean, quando o musical estreou. Jackman entrega uma performance cheia de nuances na sua primeira grande canção, “Who am I?”, em uma cena memorável. Seguem-se as esperadas aparições de Anne Hathaway como Fantine, num exemplo de como um ator pode se apropriar de uma música e torná-la um verdadeiro canal para interpretação, e a chegada do casal Thénardier, ponto alto do musical, com a Helena Bonham Carter e Sacha Baron Cohen provendo com bom humor um material que prima pela sisudez.
A proposta de abrir mão da dublagem das canções, oferecendo aos atores a possibilidade de cantá-las ao vivo, no momento em que as cenas são gravadas, parece introduzir um frescor que contribui para a tentativa de fornecer certa dose de realismo (tanto quanto podemos entender o termo “realismo” em um filme musical) e autenticidade às situações apresentadas.
Mas a dúvida é saber se tal proposta sustenta duas horas e meia de filme. Na minha opinião, infelizmente, tal concepção é um tiro no próprio coração do filme, sobretudo porque a escolha do elenco, obedecendo a critérios outros que não a qualidade vocal dos atores-cantores, nos obriga, por exemplo,  a ver um Russel Crowe assassinar deliberadamente uma das mais belas canções do musical, “Stars”. Desprovido de clareza vocal, toleramos, ao longo de sofríveis 4 minutos, o ator grunhir em um registro vocal horroroso, a canção que justifica sua ânsia por justiça. Parece que ele vai se engasgar na própria incapacidade de emitir uma nota vocal fora desse ressonador bizarro que ele utiliza durante o canto. E deveria, para o bem de nossos ouvidos.
Mas não é esse o único problema: o suposto realismo também nos obriga a um esforço eterno de suspensão da descrença ao longo do desenvolvimento da trama: personagens salvos por Valjean ressurgem do nada para auxiliá-lo em momentos inverossímeis, e esse tipo de coincidência (que funciona bem no teatro e no romance, diga-se de passagem), que se repete como se a Paris do século XIX fosse uma aldeia de 150 habitantes, vai destruindo nosso envolvimento, sobretudo quando a história dos revolucionários assume o protagonismo. Começam a saltar aos olhos a cafonice de certos elementos cenográficos (o jardim florido em que Marius e Cosette cantam seu primeiro dueto é medonho) e ainda que Samantha Barks como Éponine e Edie Redmayne como Marius sejam ótimos cantores, os temas musicais que começam a se repetir fazem com que o filme perca sua vitalidade na hora final, o que é terrível em uma obra que dura tanto tempo.
Transitando entre grandes achados (sobretudo na mise en scène, ponto para o diretor Tom Hopper) e defeitos imperdoáveis (o vibrato enjoativo de Amanda Seyfried), ainda considero esse Les Misérabiles uma obra que vale muito ser vista, pois nas suas qualidades enxergamos o grande filme que teria sido feito se, por exemplo, os roteiristas tivessem aberto mão de algumas músicas e algumas estrelas do elenco tivesses sido substituídas por verdadeiros cantores.

sexta-feira, 24 de agosto de 2012

MUSICAL - PARTE 09

SHOWGIRLS
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HAIRSPRAY
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DETROIT ROCK CITY
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ROCK OF AGES
CRÍTICA: Eu adoro musicais. E me irrita profundamente quando as pessoas ficam reclamando que "vai começar outra música?". É a mesma coisa que assistir um filme de ação e dizer que "vão explodir outro prédio?". Eu sei que o gênero causa amor e ódio com a mesma proporção, mas a lição é simples: se você não gosta de musicais, não vá assisti-los. Será melhor pra você e para quem está lá para se deleitar com o gênero (como eu). Dito isso, posso começar afirmando que Rock of Ages não é nenhum deleite para os fãs do gênero.
Na trama, passada em 1987, a jovem Sherry (Julliane Hough, do... reality-show Dancing With the Stars) chega de Oklhoma em busca da fama. Logo arranja emprego no mais famoso bar de rock da cidade, o Bourbon Room. Lá ela vai encontrar o amor na figura do jovem Drew (Diego Boneta, da versão original de Rebelde) e conhecer o astro do rock em decadência Stacee Jaxx (Tom Cruise, de Missão Impossível). Enquanto isso, a esposa do prefeito de Los Angeles (interpretada por Catherine Zeta-Jones, de Chicago) tenta banir o rock das ruas para "salvar a juventude" do pecado.
A trilha musical do filme (que é baseado no musical da Broadway com o mesmo nome) é toda composta por canções já existentes (Don't Stop Believing, More Than Words, Can't Fight This Feeling... e por aí vai), o que cria uma identificação imediata de platéia. Afinal, conhecer as músicas nos permite cantarolar, baixinho, junto com as personagens.
O maior problema de Rock of Ages é seu roteiro fraquinho. O drama do casal central (Sherry e Drew) nunca nos convence de verdade, fazendo com que não nos importemos com eles. O desempenho meia-boca do casal também não ajuda muito... Isso me faz lembrar daquele casal de jovens chatinhos do filme Sweeney Todd, do Tim Burton (I feeeeeeeeeel you, Jhoanna...). O arco da personagem moralista de Zeta-Jones também é muito mal explorado, apesar do ótimo desempenho da atriz (sua cara de maluca é impagável). Por isso, sobra espaço para que coadjuvantes como Alec Baldwin (Simplesmente Complicado), Russell Brand (Arthur - O Milionário Irresistível) e Paul Giamatti (Tudo Pelo Poder) brilhem em excelentes interpretações. Normalmente acho Russell Brand um chato, mas aqui ele parece estar no seu elemento.
Porém, se existe um trunfo no filme ele atende pelo nome de Tom Cruise. Seu Stacee Jaxx é uma figura excêntrica e lesada sem perder o carisma. E Cruise manda ver nos momentos musicias. Sua jornada de auto-descoberta acaba sendo a melhor trama do filme.
Mas o filme ainda tem muita diversão. Os anos oitenta são homenageados/parodiados na ótima direção de arte, nos figurinos e até na febre das boy-bands.
Dá pra se divertir. Mas eu repito: se você não gosta de musicais, FIQUE EM CASA!

sábado, 20 de agosto de 2011

FILMES DO CORAÇÃO - PARTE 15

A PEQUENA LOJA DOS HORRORES (1960)+

O TERROR VEIO DO ESPAÇO+

O MÁGICO DE OZ=

A PEQUENA LOJA DOS HORRORESCOMENTÁRIO:
É curioso imaginar que alguém assistiu o filme de A Pequena Loja dos Horrores, dirigido por Roger Corman em 1960, e pensado: "Olha, esta história poderia se tornar um musical da Broadway". E mais ainda que alguém viu o musical da Broadway e pensado: "Olha, este musical poderia virar um outro flme". Pois foi o que aconteceu em 1986.
Na trama, um florista pé-rapado chamado Seymor (Rick Moranis, de Querida, Encolhi as Crianças) encontra uma estranha planta que torna a floricultura de seu chefe um sucesso. Porém, a planta revela-se um ser alienígena que fala, canta e come carne humana. E ela promete tudo que Seymor sempre quis se ele conseguir carne fresca...
O diretor Frank Oz (de Os Safados) manteve a estética "Broadway" do filme, rodando tudo em estúdios em elaborados cenários que exalam um divertido clima fake.
No elenco, Moranis exercita sua persona de "adorável perdedor" ao lado da esquisita Audrey (Ellen Greene, da série Pushing Daisies). Juntos, eles formam um estranho e carismático casal.
O elenco ainda conta com diversas participações especiais que incluem John Candy (Antes Só do que Mal Acompanhado), Bill Murray (Os Caça-Fantasmas) e um espetacular Steve Martin (de O Pai da Noiva), que rouba a cena como um dentista sádico e canastrão.
As canções são um show a parte. Todas são deliciosas e grudam na cabeça rapidamente, principalmente aquelas que contam com um incrível trio de garotas como "backing vocals".
Um exercício de humor negro que não tem a menor vergonha de ser cafona, A Pequena Loja dos Horrores é um dos musicais mais divertidos e despretenciosos de todos os tempos.
Curiosidade: a ótima canção "Mean Green Mother from Outher Space" perdeu o Oscar para "Take My Breath Away", de Top Gun. Fala sério...


sexta-feira, 12 de agosto de 2011

FILMES DO CORAÇÃO - PARTE 13

ABBA - O FILME+

CASAMENTO GREGO+

OPERAÇÃO CUPIDO=

MAMMA MIA!COMENTÁRIO:
Uma de minhas mais tenras memórias de infância é ouvir minha mãe fazendo a faxina e ouvindo ABBA. Isso já explica anos de memória afetiva relacionada ao grupo sueco.
E eu, realmente, adoro quase todas as canções deles. Tem um romantismo, uma ingenuidade e uma cafonice deliciosas.
E tudo isso está em Mamma Mia! (que, por coincidência, teve estréia mundial no meu aniversário).
Na trama, uma jovem (Amanda Seyfried, de Cartas para Julieta) vai se casar e, na ânsia de conhecer o pai, convida os três ex-namorados de sua mãe (Meryl Streep, de As Pontes de Madison) na esperança de descobrí-lo. Obviamente, tudo dá muito errado.
Uma história como essa combina perfeitamente com as musicas do ABBA, explicando o enorme sucesso que o musical faz na Broadway há mais de 20 anos, e o sucesso do próprio filme.
A ambientação numa Grécia super-iluminada também colabora com o clima "conto-de-fadas" da narrativa.
O elenco diverte-se como nunca. Streep domina a tela e tem momentos divertidíssimos ora sozinha (em Mamma Mia!), ora na companhia de suas amigas Cristine Baranski (de A Gaiola das Loucas) e Julie Walters (de Billy Elliot) em números como Dancing Queen ou Chiquitita.
Solando, ela arranca lágrimas no apoteótico The Winner Takes It All.
Pierce Brosnan (007 contra GoldenEye), Colin Firth (O Discurso do Rei) e Stellan Sarksgard (Exorcista - O Início) também tem bons momentos. No caso de Brosnan, até a ruindade musical e canastrice jogam a favor.
Mas quem reina mesmo são as mulheres. Baranski, eterna coadjuvante, brilha em Does You Mother Know, enquanto Walters tem seu grande momento em Take a Chance on Me.
Um filme pra assistir de coração aberto pois, como o ABBA, é cafona, romântico e ingênuo.
E vai te dar um enorme sorriso no rosto. Quando entrar o bis, você vai cantar junto.

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

MUSICAL - PARTE 08

FELLINI 8 E 1/2+

CHICAGO=

NINECOMENTÁRIO:
Eu esperava ansiosamente por Nine. Afinal, era a volta do diretor Rob Marshall (de Chicago) ao universo dos musicais, adaptando um musical da Broadway inspirado em Fellini 8 e 1/2. E com um elenco estelar de arder os olhos.
Na trama, o cineasta Guido Contini (Daniel Day-Lewis, de Sangue Negro) é um cineaste em crise com seu próximo projeto. Todas as mulheres de sua vida aparecem para confundí-lo ainda mais ou, quem sabe, inpirá-lo.
As mulheres? Temos Marion Cotillard (Piaf), Judi Dench (Notas Sobre Um Escândalo), Penélope Cruz (Vicky Cristina Barcelona), Sophia Loren (Duas Mulheres), Nicole Kidman (Moulin Rouge), Kate Hudson (Quase Famosos) e Fergie (Planeta Terror). Incrível, não é?
Mas, infelizmente, o filme não funciona.
Parte da culpa é do próprio musical: as canções, tirando uma ou outra, não tem graça nenhuma. São desinteressantes. E isso, para um musical, é a morte.
Musicas desinteressantes também geram participações sub-aproveitadas de parte das atrizes. Sophia Loren e Nicole Kidman passam em brancas nuvens em momentos tediosos.
O próprio Day-Lewis parece entediado. E seu personagem, que teoricamente deveria usar todas as mulheres que lhe aparecem de alguma forma inspiradora, nunca evolui, voltando sempre para o estágio "garoto mimado que precisa de colo". Muito irritante.
As úncas que mantém a dignidade são Cotillard (fantástica em "Take It All"), Penélope Cruz, Judi Dench (deliciosa em "Folie Bergére") e Fergie, que arrasa em "Be Italian".
E se você pensa que todas estas mulheres terão um momento musical coletivo, vá perdendo a esperança. Essa é outra frustração que o filme causa.
Outro senão do filme é uma repetição da idéia central de Chicago.
Se neste, Roxie Hart tinha seus delírios musicais transplantados para um palco de teatro, aqui os devaneios de Contini surgem no set de filmagem. Uma opção questionável, visto que falamos do mesmo diretor.
A última cena do filme é de grande beleza, mas até aí já perdemos a maior parte do interesse.
Recomendação: Vejam Fellini 8 e 1/2 mesmo. É de uma genialidade que chega a doer na cabeça.

terça-feira, 19 de julho de 2011

MUSICAL - PARTE 08

O BARBEIRO DE LONDRES+

A LENDA DO CAVALEIRO SEM CABEÇA+

A PEQUENA LOJA DOS HORRORES=

SWEEWNEY TODD - O BARBEIRO DEMONÍACO DA RUA FLEETCOMENTÁRIO:
O musical Sweeney Todd é um clássico da Broadway.
A história é sobre um jovem que tem a família roubada por um malvado juiz e, anos depois, volta para se vingar. Pra isso, disfarça-se de barbeiro e une-se à uma cozinheira, a Sra. Lovett. Assim, ele pode executar seus algozes enquanto ela usa a carne dos mesmos para fazer tortas.
Esta história mórbida já teve algumas adaptações para TV e cinema, mas nunca na sua forma de origem: um musical. E para contar esta história, ninguém melhor do que Tim Burton (Batman).
O barbeiro Sweeney Todd é interpretado pelo costumaz parceiro de Burton Jhonny Depp (Ed Wood) e a Sra. Lovett é Helena Boham Carter (Asas do Amor).
Os dois tem grande sintonia em cena, gerando uma cumplicidade essencial para a história. Os coadjuvantes também são de luxo, como Alan Rickman e Timothy Spall, (ambos parceiros de cena na saga Harry Potter) além do ótimo Sacha Baron Cohen (Borat).
A direção de arte é impecável, apresentando uma Londres imunda e decrépita, cenário ideal para este conto culinário de vingança.
O maior problema do filme é mesmo a escolha do jovem casal de heróis apaixonados interpretados por Jamie Campbell Bower e Jayne Wisener, que é insuportavelmente insosso. Escolhidos, ao que parece, apenas pelos dotes musicais, eles não tem carisma algum, irritando sempre que aparecem. As repetições do refrão “I feel you, Jhoanna” chegam a causar risos.
Este é outro diferencial do filme. Sua canções não são cheias de refrões que você vai decorar e cantar por aí alegremente. A estrutura musical lembra mais uma ópera, repleta de canções de letras intrincadas. O que é um diferencial interessante do que se vê por aí em outros musicais.

Para quem gosta do gênero, é algo que merece ser conferido.

terça-feira, 5 de julho de 2011

MUSICAL - PARTE 07

HAIRSPRAY - E ÉRAMOS TODOS JOVENS+

HIGH SCHOOL MUSICAL=

HAIRSPRAY - EM BUSCA DA FAMACOMENTÁRIO:
Hairspray – E Éramos Todos Jovens é o filme mais “família” de John Waters (de, entre outros, Pink Flamingos). Sua história musical faz entender a idéia de transformá-lo num... musical da Broadway.
O sucesso foi imenso, e este virou um novo filme.
A produção conta a história de Tracy (a estreante Nikki Blonski), garota gordinha que sonha em aparecer num programa de TV local na Baltimore dos anos 60. Mas o preconceito, encarnado pela produtora Velma Von Tussle (Michelle Pfeiffer, de Batman – O Retorno) vai ser um grande obstáculo.
O filme é colorido, agitado e divertido. As canções são ótimas, algumas ficando na sua cabeça por dias (como "Good Morning, Baltimore").
O elenco está perfeito, liderado pela carismática Blonski.
Mas quem realmente faz uma maravilhosa performance é John Travolta (Pulp Fiction) como Edna, a gorda mãe de Tracy. O ator consegue ser perfeitamente cativante, fazendo com que deixemos de pensar que é “um homem vestido de mulher”.
Um filme para dançar e curtir, e ainda refletir um pouco sobre a ditadura de estética e da moda.
Diversão com conteúdo.

sábado, 25 de junho de 2011

FILMES DO CORAÇÃO - PARTE 11

ALL THAT JAZZ+

CAGED=

CHICAGO
COMENTÁRIO:
“Estados Unidos invadiram o Iraque! Precisamos de filmes leves! Foi só por isso que Chicago ganhou o Oscar!”
Que argumento estúpido.
Chicago é uma adaptação do musical de Bob Fosse (que dirigiu All That Jazz) e conta a história de Roxie Hart (Renne Zellwegger, de A Enfermeira Betty), aspirante a estrela que mata o amante e, na cadeia, aproveita a fama para ficar famosa. Lá, encontra sua ídola Velma Kelly (Catherine Zeta-Jones, de A Máscara do Zorro) e utiliza os seviços do advogado picareta Billy Flinn (Richard Gere, de Uma Linda Mulher).
Um dos maiores méritos do filme é a concepção dos números musicais. Tudo acontece na cabeça de Roxie, que transforma as situações do cotidiano em sequências que acontecem num palco imaginário de cabaré.
Desta forma, uma entrevista coletiva, um julgamento e a confissão de suas companheiras de cela viram luxuriantes números musicais. Puro "Razzle-Dazzle", como canta Billy Flin.
Adoro Renne, mas o filme é mesmo de Catherine. Sua Velma Kelly é esfuziante e dramática. Uma diva de verdade. Ela sem dúvida mereceu o Oscar de coadjuvante.
Destaque também para John C. Reilly (As Horas) como o marido de Roxie, Sua interpretação patética rende o memorável e melancólico número "Mr. Cellophane".
Quanto ao Oscar daquele ano: Gangues De Nova York? (Sorry, Scorcese. O filme só tem Daniel Day-Lewis). O Pianista? (Não. Rendeu a Polanski o Oscar de diretor, mas definitavente pelo filme errado). O Senhor dos Anéis – As Duas Torres? (Embora seja meu favorito da trilogia, tá longe, gente...). Resta As Horas, o único filme que poderia ter ganho e eu ainda adoraria. É um filmaço, mas falarei dele outra hora).
Ou seja: O musical estava de volta, e em grande estilo. Chicago ainda é uma referência quando se fala em musicais modernos. E o mundo não precisa estar em guerra pra ele ser incrível.