CELULAR - UM GRITO DE SOCORRO
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UM DIA DE LOUCO
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O SILÊNCIO DOS INOCENTES
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CHAMADA DE EMERGÊNCIA
CRÍTICA: É perfeitamente possível se divertir com este Chamada de Emergência. Basta você relevar uma série de fatores.
A trama acompanha uma atendente do 911 chamada Jordan (Halle Berry, a Tempestade da franquia X-Men), traumatizada depois que um erro seu custou a vida de uma jovem apanhada por um serial-killer. Seis meses depois, ela tem a chance de salvar Casey (Abigail Breslin, de Pequena Miss Sushine) do mesmo destino.
A primeira coisa que precisa ser relevada é a canastrice do elenco. Berry (que ganhou um Oscar por A Última Ceia) exercita sua cara de assustada durante 90% do filme. O ator Mikael Eklund (vindo da tv) também é só caras e bocas como o vilão Michael. Já Breslin passa metade do filme chorando no escuro.
Também é preciso relevar as firulas visuais que o diretor Brad Anderson (diretor de séries de tv como The Killing e do bizarro O Operário) impõe ao longa. São frescuras desnecessárias que deveriam "valorizar" certos momentos mas que não agregam em nada.
A primeira hora da produção, porém é bem sucedida na criação de tensão e suspense. Temos Casey presa no porta-malas e Jordan ao telefone, buscando ajudá-la a escapar enquanto a polícia tenta encontrá-la. Várias tentativas frustradas da garotas geram alguns momentos genuínos de bom suspense e o filme vai bem, mesmo quando alguns momentos "dramáticos" entre as duas aparecem para diminuir o ritmo.
Releva-se também o fato de que o celular usado por Casey NUNCA falha e NUNCA fica sem bateria. Até aí tudo bem, pois todo celular de filmes é assim... Um milagre tecnológico!
Mas é na meia hora final que a coisa realmente desanda.
Quando a polícia fica sem pistas, Jordan (num acesso de coragem/burrice típico deste tipo de filme) parte sozinha para o suposto esconderijo de Michael.
Além da atitude questionável da protagonista, é preciso também relevar o fato de que ela revela-se melhor investigadora que toda a equipe da polícia de Los Angeles, encontrando pistas que aparentemente passaram em brancas nuvens.
Nem vou comentar o clímax, mas obviamente Jordan entrará num corpo-a-corpo com Michael em sua tentativa de salvar Casey.
Como eu disse acima, é possível curtir o filme se você for capaz de ignorar a sucessão de "forçadas de barra" que a história joga para cima da plateia. Você pode até apreciar a conclusão, que apresenta um desfecho pelo menos razoavelmente original para a trama (fiquei realmente surpreso). Será uma sessão prazerosa e despretensiosa.
Do contrário, pode ser uma tortura.
Dica importante: Não veja o trailer. Ele conta o filme INTEIRO!
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sexta-feira, 12 de abril de 2013
sábado, 16 de fevereiro de 2013
SUSPENSE - PARTE 16
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REDE DE MENTIRAS
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MOBY DICK
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A HORA MAIS ESCURA
CRÍTICA: Os efeitos que a guerra tem sobre seus soldados já foram mostrados em diversos filmes. A diretora Kathryn Bigelow mostrou como a vida um soldado pode ser modificada para sempre nos últimos minutos de Guerra ao Terror (convenhamos, é a única parte realmente boa do filme). Ela retoma esse tema em A Hora Mais Escura (tradução acertada de Zero Dark Thirty, um termo militar que explica o momento quando a noite fica escura, o que favorece uma ofensiva).
A trama acompanha Maya (Jessica Chastain, de Histórias Cruzadas e A Àrvore da Vida), agente da CIA que chega ao Paquistão em 2001 para auxiliar na investigação que tenta encontrar Osama Bin Laden. A busca se tornará uma obsessão que perdurará por anos e envolverá tortura, burocracia, pistas falsas e culminará na já conhecida morte do terrorista em 2011.
Bigelow aprofunda a discussão sobre os efeitos que as guerras modernas (lutadas mais por computadores do que por soldados) tem sobre os envolvidos. Qualquer movimento precisa ser pensado, planejado, avaliado e discutido via planilhas, em substituição ao caos que a guerra representava antes da primeira invasão americana ao Iraque (que foi televisionada e teve até fogos de artifício). Maya é uma mulher de ação e intuição, e ficar nas mãos de burocratas que "avaliam estatisticamente" as chances de um alvo estar correto é horrível para ela.
Jessica Chastain está ótima, e a forma como sua personagem evolui de uma novata em campo até uma mulher completamente segura de si e obcecada por seu objetivo é muito bem conduzida.
O roteiro evita clichês como "a mulher que precisa se provar num mundo de homens" ou até mesmo um envolvimento romântico da protagonista. Essa opção é muitíssimo bem-vinda.
A diretora Bigelow realiza um filme que apresenta imagens impressionantes. As cenas de tortura são fortes e o filme ousa ainda mais, defendendo a ideia de que ela era uma ferramenta necessária (fácil perceber porque a CIA está defenestrando a produção). Quando um vídeo do presidente Obama surge numa tv e diz que "não admite qualquer uso de tortura", a ferida é ainda mais cutucada.
Trabalhando num registro extremamente realista e conectando fatos como o atentado em Londres, A Hora Mais Escura pode até oferecer alguns momentos um pouco tediosos (muitos interrogatórios e nomes vem e vão), mas em geral a condução é segura e eficiente.
Ao final, quando a casa onde supostamente Osama estaria escondido é invadida, o filme muda. Soldados, tiros, visão-noturna, gritos e choro invadem a tela em sequências impressionantes que provam o talento de Bigelow para a ação e o suspense. Mesmo que saibamos como tudo acaba, é de tirar o fôlego.
Ao final, o olhar vazio de Maya reflete a crise do soldado vivido por Jeremy Renner em Guerra ao Terror. Após anos sugados por um universo violento e opressivo, os personagens simplesmente não sabem mais como viver fora dele.
PS: Parabéns ao tradutor que transformou a frase de Maya "I'm not that kind of girl" em "Eu não sou uma piriguete". Parabéns MESMO!
quinta-feira, 15 de novembro de 2012
SUSPENSE - PARTE 15
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HARRY POTTER E AS RELÍQUIAS DA MORTE - PARTE 02
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JACK
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PRÍNCIPE DA PÉRSIA - AS AREIAS DO TEMPO
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A SAGA CREPÚSCULO: AMANHECER - PARTE 02
CRÍTICA: Após toda a lenga-lenga e pretensa seriedade que foi Amanhecer: Parte 01 (veja a crítica aqui), finalmente chega as telas a conclusão da saga de Bella, Edward e Jacob. Um fenômeno mundial que levou aos cinemas milhões de jovens que nunca se importaram com a ruindade das produções. E não estou aqui para julgar ninguém por isso. Até me divirto com os filmes. E começo este texto admitindo: Amanhecer - Parte 2 é o melhor filme da saga. Mas o que isso significa?
Bella finalmente é uma vampira. É curioso que após sua "morte" a personagem finalmente adquira alguma "vida". Kristen Stewart está melhor do que nunca, divertindo-se a valer com o novo patamar de sua personagem. Consegue demonstrar força e determinação com grande eficiência. O mesmo porém, não se pode dizer de Robert Pattinson, que continua parecendo estar sofrendo mesmo quando está feliz. E ele passa boa parte do filme feliz. Já Taylor Lautner continua... simpático.
A batalha final se dará entre o clã dos Cullen e os cruéis Volturi, já que eles acreditam que Renesmee, a filha de Bella e Edward, pode ser um perigo para a raça vampírica. Os Cullen, então, recorrem a vários amigos para a defesa. Surge aí uma grande variedade de vampiros de diversas nacionalidades e sotaques em auxílio dos heróis (todos usando uma maquiagem tão exagerada que beira o teatral).
E por que o filme é bom?
- Porque tudo acontece rápido, já que estamos falando da segunda metade de um livro.
- Porque o filme tem bastante humor.
- Porque Michael Sheen (Frost/Nixon) continua ótimo como Aro, líder dos Volturi. Sua afetação é muito divertida.
- E porque o diretor Bill Condon (da Parte 01) entrega um clímax impressionante. Aliás, o maior trunfo do filme é esse clímax, uma luta impressionante entre vampiros e lobisomens que não poupa violência, dor e mortes. Os fãs ficarão chocados com algumas mudanças (corajosas) feitas nesta parte da história. Aplausos foram ouvidos na sessão em que eu estava.
Mas aí vem o epílogo, um dos mais covardes da história do cinema moderno, e tudo cai por terra.
Não vou comentar aqui o que acontece, mas me senti ofendido e estúpido com a reviravolta do roteiro. A partir daí não me importei mais com a história ou o final feliz dos protagonistas. Eu só queria sair dali.
Uma pena que um filme que se encaminhava para ser muito legal e um fecho eficiente para a série se torna apenas o "melhor" de uma saga que é bem meia-boca.
sábado, 10 de novembro de 2012
SUSPENSE - PARTE 14
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OS MERCENÁRIOS
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NUNCA SEM MINHA FILHA
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ARGO
CRÍTICA: Algumas histórias reais são tão impressionantes que parecem ter saído da mente do mais maluco dos roteiristas. Fatos incríveis como os contados em produções como Apollo 13 ou A Lista de Schindler nos encantam não somente pela qualidade dos filmes, mas também pelo famigerado "baseado numa história real". E Argo entra gloriosamente nesta lista.
Em 1979, a embaixada americana no Irã foi invadida e todos os funcionários foram feitos reféns. Seis deles escaparam e se refugiaram na casa de um diplomata canadense. Conforme as semanas passavam, tirá-los de lá com vida mostrava-se cada vez mais difícil e imprescindível. É quando o agente especialista em extratificação Tony Mendez (Ben Affleck, de Gênio Indomável, e também diretor do filme) surge com uma ideia maluca: criar uma falsa equipe de filmagem para ir até lá e remover os reféns. Se forem pegos, todos serão mortos.
O elenco está ótimo. Bryan Cranston (da série Breaking Bad), Alan Arkin (Pequena Miss Sunshine) e John Goodman (O Grande Lebowski) brilham em ótimos papéis, enquanto Affleck conduz a história com grande segurança e eficiente dramaticidade.
A interessante fotografia faz com que o filme pareça ter sido feito nos anos 70, o que contribui para a verossimilhança da situação.
O roteiro encadeia de maneira extremamente eficiente toda a criação do filme falso (uma ficção-científica que copia descaradamente Star Wars chamada Argo) até a operação de resgate dos reféns.
Alguns momentos de leveza surgem quando a futilidade hollywoodiana vem para primeiro plano (principalmente na primeira metade de filme), mas sempre somos lembrados de que o relógio está correndo e a vida daquelas pessoas está em risco.
Affleck (um ator, em geral, de uma notória canastrice) já mostrou potencial como diretor em Medo da Verdade, e aqui se consolida como alguém com grande domínio do ofício. A condução da história é segura, bem encadeada, tensa e nos conduz de maneira habilidosa até seu terceiro ato (a fuga em si), que me levou a ficar na ponta de cadeira de tanto nervosismo. Simplesmente eletrizante!
Argo é um suspense extremamente bem orquestrado e já o considero um dos melhores filmes do ano. E o selo "baseado numa história real" torna a experiência ainda mais sedutora.
domingo, 4 de março de 2012
SUSPENSE - PARTE 13
CLOVERFIELD - MONSTRO
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CARRIE - A ESTRANHA
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AKIRA
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PODER SEM LIMITES
COMENTÁRIO: Os filmes de estética "documental" e "filmagens encontradas" já deram uma boa saturada. Fica difícil para qualquer um apresentar novidades, e ficamos presos em produções que custam o mesmo que uma coxinha e um suco no bar da rodoviária (como O Último Exorcismo). Mas é um alento assistir Poder Sem Limites e perceber que ainda existem maneiras de inovar o gênero.
Na trama, três jovens (um esportista, um boa-praça e um looser) entram em contato com uma estranha substância e adquirem poderes telecinéticos. Enquanto curtem e descobrem seus poderes, filmam suas façanhas para se divertir. Porém, logo as coisas saem do controle e toda a cidade ficará em perigo.
Primeiramente, nada de passar 70 minutos "sugerindo" coisas para mostrar algo interessante no final. Os poderes dos jovens são mostrados desde o começo com ótimos efeitos especiais. Desde brincadeiras inocentes como assustar uma garotinha numa loja de brinquedos até esmagar um carro com uma aperto de mão, o filme é tecnicamente impecável. As cenas de vôo são muito mais legais do que em Superman- O Retorno, por exemplo.
O trio de atores está perfeitamente entrosado e à vontade em seus papéis. Dane DeHann (o looser dono da câmera Andrew), Alex Russel (o esportista metido a filósofo Matt) e Michael B. Jordan (o simpaticão Steve) tem excelente química e seus laços de amizade tornam uma história tão bizarra verossímil.
Aí você me pergunta: Qual a novidade no quesito "modo documental"? Se o que costuma incomodar neste tipo de filme são as tremidas e cortes toscos (geralmente para não mostrar os efeitos que custariam mais do que dois reais), Poder Sem Limites resolve o problema de maneira genial.
Dotados de telecinésia, os jovens usam seus poderes para controlar a câmera enquanto executam suas peraltices. Ou seja, ela pode realizar qualquer movimento imaginável com absoluto requinte técnico. Funciona que é uma beleza.
E ao final, quando os poderes de Andrew se descontrolam numa explosão de raiva e poder, imagens de celulares, câmera de segurança e muto mais são usados para dar a verdadeira dimensão catastrófica do evento. Os fãs de Akira (como eu) vão urrar de alegria e admirar ainda mais o trabalho do jovem diretor Josh Trank.
Poder Sem Limites tem boas idéias, muito cérebro, ótimo ritmo (80 minutos. Uma benção na era dos blockbusters de três horas) e fantásticas cenas de ação. Vale a pena conferir e dar uma nova chance à um gênero que pode, sim, apresentar novidades.
+CARRIE - A ESTRANHA
+AKIRA
=PODER SEM LIMITES
COMENTÁRIO: Os filmes de estética "documental" e "filmagens encontradas" já deram uma boa saturada. Fica difícil para qualquer um apresentar novidades, e ficamos presos em produções que custam o mesmo que uma coxinha e um suco no bar da rodoviária (como O Último Exorcismo). Mas é um alento assistir Poder Sem Limites e perceber que ainda existem maneiras de inovar o gênero.Na trama, três jovens (um esportista, um boa-praça e um looser) entram em contato com uma estranha substância e adquirem poderes telecinéticos. Enquanto curtem e descobrem seus poderes, filmam suas façanhas para se divertir. Porém, logo as coisas saem do controle e toda a cidade ficará em perigo.
Primeiramente, nada de passar 70 minutos "sugerindo" coisas para mostrar algo interessante no final. Os poderes dos jovens são mostrados desde o começo com ótimos efeitos especiais. Desde brincadeiras inocentes como assustar uma garotinha numa loja de brinquedos até esmagar um carro com uma aperto de mão, o filme é tecnicamente impecável. As cenas de vôo são muito mais legais do que em Superman- O Retorno, por exemplo.
O trio de atores está perfeitamente entrosado e à vontade em seus papéis. Dane DeHann (o looser dono da câmera Andrew), Alex Russel (o esportista metido a filósofo Matt) e Michael B. Jordan (o simpaticão Steve) tem excelente química e seus laços de amizade tornam uma história tão bizarra verossímil.
Aí você me pergunta: Qual a novidade no quesito "modo documental"? Se o que costuma incomodar neste tipo de filme são as tremidas e cortes toscos (geralmente para não mostrar os efeitos que custariam mais do que dois reais), Poder Sem Limites resolve o problema de maneira genial.
Dotados de telecinésia, os jovens usam seus poderes para controlar a câmera enquanto executam suas peraltices. Ou seja, ela pode realizar qualquer movimento imaginável com absoluto requinte técnico. Funciona que é uma beleza.
E ao final, quando os poderes de Andrew se descontrolam numa explosão de raiva e poder, imagens de celulares, câmera de segurança e muto mais são usados para dar a verdadeira dimensão catastrófica do evento. Os fãs de Akira (como eu) vão urrar de alegria e admirar ainda mais o trabalho do jovem diretor Josh Trank.
Poder Sem Limites tem boas idéias, muito cérebro, ótimo ritmo (80 minutos. Uma benção na era dos blockbusters de três horas) e fantásticas cenas de ação. Vale a pena conferir e dar uma nova chance à um gênero que pode, sim, apresentar novidades.
segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012
SUSPENSE - PARTE 12
HACKERS - PIRATAS DE COMPUTADOR
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O HOMEM QUE ODIAVA AS MULHERES
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A HORA DO LOBO
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MILLENNIUM - OS HOMENS QUE NÃO AMAVAM AS MULHERES
COMENTÁRIO: Ver o nome de David Fincher (Seven, Clube da Luta, A Rede Social) associado a um remake (no caso, de um filme sueco) me deixou muito curioso. Porém, assim que a personagem Lisbeth Salander entra em cena neste Os Homens que Não Amavam as Mulheres a escolha ficam muito clara. Afinal, Lisbeth (interpretada por Rooney Mara com muita força e carisma) é uma heroína num mundo de homens assim como as protagonistas de Alien 3 e O Quarto do Pânico.
É ela que vai ajudar o repórter falido Mikael (Daniel Craig, de 007 - Cassino Royale) a desvendar o desaparecimento, há quarenta anos, da jovem integrante de uma rica família sueca.
A vastidão do inverno da Suécia resulta num ambiente extremamente opressivo que serve perfeitamente ao mistério que ronda a estranha família investigada pelos dois.
Lisbeth é uma jovem problemática e vê em Mikael alguém para se apegar. É muito interessante que os personagens só se cruzem, efetivamente, após quase uma hora de filme. Sabemos a esta altura que eles foram feitos um para o outro.
Mara entrega uma performance cativante, e Lisbeth é uma personagem impressionante que me deixou apaixonado e querendo mais. Já Craig cria um contraponto perfeito ao apresentar Mikael como um homem nada heróico (bem patético, aliás).
Grande diretor que é, Fincher nos brinda mais uma vez com um show visual, abrindo o filme com uma sequência de créditos maravilhosa.
Apenas o epílogo me pareceu longo demais (não teria graça comentar porque), mas nada que atrapalhe o resultado final.
Millennium é filme violento, opressor, repleto de pessoas problemáticas e pervertidas... e um dos melhores pedaços de entretenimento deste começo de ano.
Fincher prova que pode atuar em projetos por encomenda... e nos deixa babando pelas continuações da trilogia.
+O HOMEM QUE ODIAVA AS MULHERES
+A HORA DO LOBO
=MILLENNIUM - OS HOMENS QUE NÃO AMAVAM AS MULHERES
COMENTÁRIO: Ver o nome de David Fincher (Seven, Clube da Luta, A Rede Social) associado a um remake (no caso, de um filme sueco) me deixou muito curioso. Porém, assim que a personagem Lisbeth Salander entra em cena neste Os Homens que Não Amavam as Mulheres a escolha ficam muito clara. Afinal, Lisbeth (interpretada por Rooney Mara com muita força e carisma) é uma heroína num mundo de homens assim como as protagonistas de Alien 3 e O Quarto do Pânico.É ela que vai ajudar o repórter falido Mikael (Daniel Craig, de 007 - Cassino Royale) a desvendar o desaparecimento, há quarenta anos, da jovem integrante de uma rica família sueca.
A vastidão do inverno da Suécia resulta num ambiente extremamente opressivo que serve perfeitamente ao mistério que ronda a estranha família investigada pelos dois.
Lisbeth é uma jovem problemática e vê em Mikael alguém para se apegar. É muito interessante que os personagens só se cruzem, efetivamente, após quase uma hora de filme. Sabemos a esta altura que eles foram feitos um para o outro.
Mara entrega uma performance cativante, e Lisbeth é uma personagem impressionante que me deixou apaixonado e querendo mais. Já Craig cria um contraponto perfeito ao apresentar Mikael como um homem nada heróico (bem patético, aliás).
Grande diretor que é, Fincher nos brinda mais uma vez com um show visual, abrindo o filme com uma sequência de créditos maravilhosa.
Apenas o epílogo me pareceu longo demais (não teria graça comentar porque), mas nada que atrapalhe o resultado final.
Millennium é filme violento, opressor, repleto de pessoas problemáticas e pervertidas... e um dos melhores pedaços de entretenimento deste começo de ano.
Fincher prova que pode atuar em projetos por encomenda... e nos deixa babando pelas continuações da trilogia.
sexta-feira, 20 de janeiro de 2012
SUSPENSE - PARTE 11
O BOM PASTOR
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O SÉTIMO SELO
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O ESPIÃO QUE SABIA DEMAIS
COMENTÁRIOS
Por Malcon Bauer: O momento que me fez ficar entusiasmado para assistir O Espião Que Sabia Demais foi quando soube que o diretor era o sueco Tomas Alfredson. Afinal, ele é o homem por trás do GENIAL (assim grande mesmo) Deixa Ela Entrar, um filmaço de vampiros.
Na trama desta nova obra (baseada num livro de John Le Carré, de O Jardineiro Fiel) passada no início dos anos 70, um espião afastado do trabalho (Gary Oldman, de Drácula de Bram Stocker, numa minuciosa interpretação) é convocado para uma nova missão: descobrir se existe um traidor infiltrado no Serviço de Inteligência Britânica do Reino Unido.
A direção de arte é soberba, recriando o início da década de 70 com impressionante realismo. A trilha, instigante. O elenco traz ainda Colin Firth (O Discurso do Rei), Tom Hardy (O Bane do vindouro novo filme do Batman), John Hurt (de Alien) e um sem-número de ótimos atores ingleses.
O primeiro percalço surge no roteiro. Fiquei na dúvida se o problema sou eu, ou se o roteiro é realmente muito difícil e confuso. É uma imensidão de nomes que dá um nó imenso na cabeça.
E ao me perder na história, obviamente meu interesse diminuiu. Isso lá pelo segundo terço da projeção. O interesse voltou com tudo no ato final, quando a resolução das tramas se aproxima.
Talvez o problema esteja no ritmo que o diretor imprime na película. O filme é quase monocórdico, o que também colabora para um certo “anestesiamento”.
O parágrafo abaixo contém SPOILERS. Se não quiser lê-lo, pule para o parágrafo seguinte.
A revelação do traidor torna-se muito óbvia quando vemos que entre os suspeitos temos três atores “desconhecidos” e o recém-oscarizado Colin Firth. Ele aparece tão pouco durante o filme que eu pensava: “Deve ser ele. Não chamariam um cara como ele pra aparecer tão pouco de graça”. E era mesmo... Achei uma decisão equivocada.
O Espião Que Sabia Demais é um filme que quer (e parece ser) muito sério. Mas acaba sendo desinteressante. Você pode dar uma chance, e depois, escreva aqui nos comentários se a trama é realmente TÃO difícil de acompanhar, ou se eu estava num dia ruim para raciocinar.
Por Vicente Concílio: Mencione um filme de espionagem em terras inglesas e surgem, imediatamente, três números na nossa cabeça: 007. Pois saibam que não há referência menos apropriada para iniciar um comentário a esse O Espião Que Sabia Demais.
Enquanto nos filmes de Bond acompanhamos um sem fim de tiros e bombas e viagens aos lugares mais exóticos do planeta, agora estamos diante de uma obra cerebral, que inspira contemplação e análise cuidadosa de personagens e fatos. Isso gera, ao mesmo tempo, o que o filme tem de melhor e, paradoxalmente, aquilo que faz dele um filme tedioso em muitos momentos.
+O SÉTIMO SELO
=O ESPIÃO QUE SABIA DEMAIS
COMENTÁRIOSPor Malcon Bauer: O momento que me fez ficar entusiasmado para assistir O Espião Que Sabia Demais foi quando soube que o diretor era o sueco Tomas Alfredson. Afinal, ele é o homem por trás do GENIAL (assim grande mesmo) Deixa Ela Entrar, um filmaço de vampiros.
Na trama desta nova obra (baseada num livro de John Le Carré, de O Jardineiro Fiel) passada no início dos anos 70, um espião afastado do trabalho (Gary Oldman, de Drácula de Bram Stocker, numa minuciosa interpretação) é convocado para uma nova missão: descobrir se existe um traidor infiltrado no Serviço de Inteligência Britânica do Reino Unido.
A direção de arte é soberba, recriando o início da década de 70 com impressionante realismo. A trilha, instigante. O elenco traz ainda Colin Firth (O Discurso do Rei), Tom Hardy (O Bane do vindouro novo filme do Batman), John Hurt (de Alien) e um sem-número de ótimos atores ingleses.
O primeiro percalço surge no roteiro. Fiquei na dúvida se o problema sou eu, ou se o roteiro é realmente muito difícil e confuso. É uma imensidão de nomes que dá um nó imenso na cabeça.
E ao me perder na história, obviamente meu interesse diminuiu. Isso lá pelo segundo terço da projeção. O interesse voltou com tudo no ato final, quando a resolução das tramas se aproxima.
Talvez o problema esteja no ritmo que o diretor imprime na película. O filme é quase monocórdico, o que também colabora para um certo “anestesiamento”.
O parágrafo abaixo contém SPOILERS. Se não quiser lê-lo, pule para o parágrafo seguinte.
A revelação do traidor torna-se muito óbvia quando vemos que entre os suspeitos temos três atores “desconhecidos” e o recém-oscarizado Colin Firth. Ele aparece tão pouco durante o filme que eu pensava: “Deve ser ele. Não chamariam um cara como ele pra aparecer tão pouco de graça”. E era mesmo... Achei uma decisão equivocada.
O Espião Que Sabia Demais é um filme que quer (e parece ser) muito sério. Mas acaba sendo desinteressante. Você pode dar uma chance, e depois, escreva aqui nos comentários se a trama é realmente TÃO difícil de acompanhar, ou se eu estava num dia ruim para raciocinar.
Por Vicente Concílio: Mencione um filme de espionagem em terras inglesas e surgem, imediatamente, três números na nossa cabeça: 007. Pois saibam que não há referência menos apropriada para iniciar um comentário a esse O Espião Que Sabia Demais.
Enquanto nos filmes de Bond acompanhamos um sem fim de tiros e bombas e viagens aos lugares mais exóticos do planeta, agora estamos diante de uma obra cerebral, que inspira contemplação e análise cuidadosa de personagens e fatos. Isso gera, ao mesmo tempo, o que o filme tem de melhor e, paradoxalmente, aquilo que faz dele um filme tedioso em muitos momentos.
A trama se passa nos anos 70, no auge da Guerra Fria, quando um recém aposentado agente da inteligência britânica é convocado para descobrir quais de seus antigos parceiros é, na verdade, um agente duplo. Essa tarefa vai exigir uma investigação cuidadosa, uma revisão das condutas de seus parceiros e vai acabar revelando fatos nem tão amistosos sobre sua própria vida.
Esse processo é mostrado, ao longo do filme, respeitando a lógica da espionagem e o cuidadoso tempo de Smiley, seu protagonista.
Isso resulta em uma narrativa lenta, que compõe um thriller que impressiona pela sua fotografia belíssima, que explora sombras e ângulos indiretos, compondo um clima de vigília bastante apropriado ao enredo, e pela trilha incidental de inspiração sofisticada e jazzística.
Isso resulta em uma narrativa lenta, que compõe um thriller que impressiona pela sua fotografia belíssima, que explora sombras e ângulos indiretos, compondo um clima de vigília bastante apropriado ao enredo, e pela trilha incidental de inspiração sofisticada e jazzística.
Mas o grande trunfo aqui reside no trabalho de Gary Oldman. Completamente distinto das viscerais interpretações que ele costuma oferecer, o que ele exibe aqui é um minucioso trabalho de contenção, demonstrando perfeito domínio sobre sua composição facial e corporal. Longe de ser um trabalho virtuosístico, o que Oldman traduz, gestualmente, é uma vida dedicada à anulação de si e ao cuidado em não deixar vestígios. Ou seja, ele nos dá a trágica dimensão de seu ofício, de quem oferece sua trajetória a salvar o mundo e esquecer de si mesmo.
Observar o trabalho de Oldman compensa qualquer problema que o filme tenha. É daqueles filmes que não insultam nossa inteligência e deixam saudade de um bom filme adulto.
sexta-feira, 18 de novembro de 2011
SUSPENSE - PARTE 10
CREPÚSCULO
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A NOIVA DO MONSTRO
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NASCE UM MONSTRO
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FEITIÇO DO RIO
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A SAGA CREPÚSCULO: AMANHECER - PARTE 1
COMENTÁRIO: E começa o fim épico de uma das maiores sagas do cinema moderno... NOT!
Não, gente. Estou falando de Amanhecer - Parte 1, o começo do derradeiro capítulo da saga Crepúsculo.
Na trama. Edward (Robert Pattinson, de Água para Elefantes) e Bella (Kristen Stewart, de The Runaways) se casam. Ela engravida e, por ainda ser humana, tem a vida colocada em risco pelo bebê mezzo-humano/mezzo-vampiro que está gerando. Enquanto isso, os lobisomens planejam um ataque, e Jacob (Taylor Lautner, de Sem Saída) vai contra seu próprio grupo em prol da amada Bella.
Confesso que, desta vez, eu tinha mais expectativas. Afinal, chamaram Bill Condon (roteirista de Chicago e diretor dos excelentes Kinsey - Vamos Falar de Sexo e Deuses e Monstros) para dirigir.
Acreditei que ele daria conta dos momentos mais dramáticos que compõe esta parte da série.
Pois ele não conseguiu. E nem dá pra dizer se é por culpa do elenco, pois os três protagonistas são tão ruins que qualquer momento dramático torna-se risível ao primeiro tremer de lábios de Pattinson.
Ou talvez a culpa seja da direção mesmo, que nos brinda com momentos catastróficos como o sonho de Bella antes do casamento (de uma cafonice absurda) ou o momento House na transformação de Bella em vampiro. Sinto muito pelo spoiler, mas se você se importa com a saga, já sabia disso. Se não se importa, não perde nada em saber.
Momentos esperados pelos fãs como a primeira noite de Bella e Edward ou o parto de Renesme (que no livro é de uma sanguinolência maravilhosa) são adaptados para a censura 13 anos, frustrando a todos.
O filme é uma lenga-lenga sem fim, uma imensa DR entre os protagonistas, tudo pontuado por uma trilha tão irritante que dá vontade de cortar os pulsos.
Salvam-se os... bom, na verdade nada se salva. Nem a melosa parte da lua-de-mel no Brasil.
Ao tentar ser um drama e levar-se à serio, o filme naufraga fragorosamente.
Só resta esperar que a parte 2, com o retorno dos Volturi e do ótimo Michael Sheen (Frost/Nixon), salve um pouco a diversão. Porque, ao que parece, agora a coisa é séria (?).
+A NOIVA DO MONSTRO
+NASCE UM MONSTRO
+FEITIÇO DO RIO
=A SAGA CREPÚSCULO: AMANHECER - PARTE 1
COMENTÁRIO: E começa o fim épico de uma das maiores sagas do cinema moderno... NOT!Não, gente. Estou falando de Amanhecer - Parte 1, o começo do derradeiro capítulo da saga Crepúsculo.
Na trama. Edward (Robert Pattinson, de Água para Elefantes) e Bella (Kristen Stewart, de The Runaways) se casam. Ela engravida e, por ainda ser humana, tem a vida colocada em risco pelo bebê mezzo-humano/mezzo-vampiro que está gerando. Enquanto isso, os lobisomens planejam um ataque, e Jacob (Taylor Lautner, de Sem Saída) vai contra seu próprio grupo em prol da amada Bella.
Confesso que, desta vez, eu tinha mais expectativas. Afinal, chamaram Bill Condon (roteirista de Chicago e diretor dos excelentes Kinsey - Vamos Falar de Sexo e Deuses e Monstros) para dirigir.
Acreditei que ele daria conta dos momentos mais dramáticos que compõe esta parte da série.
Pois ele não conseguiu. E nem dá pra dizer se é por culpa do elenco, pois os três protagonistas são tão ruins que qualquer momento dramático torna-se risível ao primeiro tremer de lábios de Pattinson.
Ou talvez a culpa seja da direção mesmo, que nos brinda com momentos catastróficos como o sonho de Bella antes do casamento (de uma cafonice absurda) ou o momento House na transformação de Bella em vampiro. Sinto muito pelo spoiler, mas se você se importa com a saga, já sabia disso. Se não se importa, não perde nada em saber.
Momentos esperados pelos fãs como a primeira noite de Bella e Edward ou o parto de Renesme (que no livro é de uma sanguinolência maravilhosa) são adaptados para a censura 13 anos, frustrando a todos.
O filme é uma lenga-lenga sem fim, uma imensa DR entre os protagonistas, tudo pontuado por uma trilha tão irritante que dá vontade de cortar os pulsos.
Salvam-se os... bom, na verdade nada se salva. Nem a melosa parte da lua-de-mel no Brasil.
Ao tentar ser um drama e levar-se à serio, o filme naufraga fragorosamente.
Só resta esperar que a parte 2, com o retorno dos Volturi e do ótimo Michael Sheen (Frost/Nixon), salve um pouco a diversão. Porque, ao que parece, agora a coisa é séria (?).
terça-feira, 1 de novembro de 2011
SUSPENSE - PARTE 10
GÊMEOS - MÓRBIDA SEMELHANÇA
+
O SEGREDO DOS SEUS OLHOS
+
ENCAIXOTANDO HELENA
+
A CENTOPÉIA HUMANA
=
A PELE QUE HABITO
COMENTÁRIOS:
Por Malcon Bauer: "Um filme de terror de Pedro Almodóvar". Isso bastou para instigar-me quando a produção de A Pele Que Habito foi anunciada. E o filme tem tudo que podíamos esperar (incluindo o inesperado).
Baseado no romance Tarantula, o filme conta a história de um cirurgião plástico (Antonio Banderas, que não trabalhava com o diretor desde Ata-me!) que mantém numa espécie de cárcere a bela jovem Vera Cruz (Elena Anaya), com quem tem uma relação estranha e doentia.
Saber mais sobre a história é estragar as surpresas. E elas são muitas.
O diretor se refestela em toda a bizarrice que sua narrativa proporciona, criando um ambiente opressivo e asséptico, onde a sexualidade exala intensamente.
A complicada relação do cirurgião com Vera, que foi submetida à diversas cirurgias, nos é explicada aos poucos, através de flashbacks que viram de cabeça para baixo o primeiro terço do filme. A amoralidade dos personagens é essencial para que acompanhemos seus dramas sem julgamentos superficiais. Nada é o que parece. Nada mesmo.
O elenco entrega excelentes performances, com destaque para Marisa Paredes como a mãe do cirurgiã. Ela é a protagonista de uma das melhores e mais chocantes cenas do filme.
Almodóvar é um manipulador de primeira. Sabe como ninguém apresentar personagens de maneira tão simples, que é chocante descobrir a relação que eles tem quando a verdade nos é revelada.
Seu conto de erotismo e vingança conta também com uma impressionante direção de arte e uma ótima trilha sonora.
Tudo isso cria uma atmosfera extremamente incômoda, conduzindo-nos por lugares bem obscuros da mente humana e culminando num final simplesmente genial.
Sem dúvida, um dos melhores filmes do ano.
Por Vicente Concílio: A Pele Que Habito, mais recente filme de Almodóvar, revela sua estranheza a começar pelo título. Acompanhamos aqui a trajetória de dois personagens, o médico Robert Legard e uma de suas pacientes, Vera Cruz, cuja relação insólita é o eixo sobre o qual o roteiro se desenvolve, em trajetória não-linear. Sabemos que, como cineasta, Almodóvar não se interessa pelo banal, exceto quando ele amplia a voltagem das histórias que ele narra.
+O SEGREDO DOS SEUS OLHOS
+ENCAIXOTANDO HELENA
+A CENTOPÉIA HUMANA
=A PELE QUE HABITO
COMENTÁRIOS: Por Malcon Bauer: "Um filme de terror de Pedro Almodóvar". Isso bastou para instigar-me quando a produção de A Pele Que Habito foi anunciada. E o filme tem tudo que podíamos esperar (incluindo o inesperado).
Baseado no romance Tarantula, o filme conta a história de um cirurgião plástico (Antonio Banderas, que não trabalhava com o diretor desde Ata-me!) que mantém numa espécie de cárcere a bela jovem Vera Cruz (Elena Anaya), com quem tem uma relação estranha e doentia.
Saber mais sobre a história é estragar as surpresas. E elas são muitas.
O diretor se refestela em toda a bizarrice que sua narrativa proporciona, criando um ambiente opressivo e asséptico, onde a sexualidade exala intensamente.
A complicada relação do cirurgião com Vera, que foi submetida à diversas cirurgias, nos é explicada aos poucos, através de flashbacks que viram de cabeça para baixo o primeiro terço do filme. A amoralidade dos personagens é essencial para que acompanhemos seus dramas sem julgamentos superficiais. Nada é o que parece. Nada mesmo.
O elenco entrega excelentes performances, com destaque para Marisa Paredes como a mãe do cirurgiã. Ela é a protagonista de uma das melhores e mais chocantes cenas do filme.
Almodóvar é um manipulador de primeira. Sabe como ninguém apresentar personagens de maneira tão simples, que é chocante descobrir a relação que eles tem quando a verdade nos é revelada.
Seu conto de erotismo e vingança conta também com uma impressionante direção de arte e uma ótima trilha sonora.
Tudo isso cria uma atmosfera extremamente incômoda, conduzindo-nos por lugares bem obscuros da mente humana e culminando num final simplesmente genial.
Sem dúvida, um dos melhores filmes do ano.
Por Vicente Concílio: A Pele Que Habito, mais recente filme de Almodóvar, revela sua estranheza a começar pelo título. Acompanhamos aqui a trajetória de dois personagens, o médico Robert Legard e uma de suas pacientes, Vera Cruz, cuja relação insólita é o eixo sobre o qual o roteiro se desenvolve, em trajetória não-linear. Sabemos que, como cineasta, Almodóvar não se interessa pelo banal, exceto quando ele amplia a voltagem das histórias que ele narra.
Como resultado do trabalho de um ótimo construtor de histórias, que aparece aqui naquele tom insano que é a marca autoral de Almodóvar, este filme marca não só o reencontro do diretor com Antonio Banderas, mas marca também a retomada da potência daquele artista que sabe, como poucos, que o bizarro faz parte das relações humanas. E esse bizarro não merece nosso julgamento, porque também pode ser entendido como prova de amor. É aquela velha máxima: o artista não deve expressar sua moral, mas sim ajudar a compreender a moral do mundo. Por isso, monstros podem ser equivalentes a anjos, e os anjos não podem ser tão celestiais assim.
A Pele Que Habito é um testemunho da complexidade das relações humanas, e no caso deste filme, quanto menos falarmos, melhor. As surpresas são um recurso do contador pra nos mantermos atentos a sua ética de amor à não obviedade. Um Almodóvar por ano é pouco.
quinta-feira, 27 de outubro de 2011
SUSPENSE - PARTE 09
EPIDEMIA
+
TRAFFIC
=
CONTÁGIO
COMENTÁRIOS:
Por Malcon Bauer: Onze Homens e um Ebola. Quando vemos o elenco de Contágio, essa idéia pode vir à cabeça. Mas não se preocupe, que desta vez o diretor Steven Soderbergh voltou ao estilo do consagrado Traffic. Ou seja: ele destrincha em todos os complexos meandros uma situação que envolve extremos (neste caso, o surgimento e evolução de uma crise mundial envolvendo um vírus transmissível pelo toque).
O elenco é mesmo estelar. Temos Matt Damon (Gênio Indomável), Gwyneth Paltrow (Shakespeare Apaixonado), Marion Cotillard (Piaf), Kate Winslet (O Leitor), Jude Law (Alfie – O Sedutor) e Laurence Fishburne (Matrix). De tirar o folêgo.
E o roteiro não tem o menor pudor em eliminar grandes estrelas com poucos minutos de projeção. Poucos diretores, como Soderbergh, tem prestígio para isso.
Acompanhamos a crise do ponto de vista do homem comum, dos militares, de um blogueiro alarmista e de médicos que tentam lidar com a gravidade do vírus.
Uma das grandes virtudes de Soderbergh é não se entregar ao dramalhão. Os momentos dramáticos existem, mas inseridos numa narrativa que se preocupa muito mais em mostrar com frieza todas as etapas da epidemia. A trilha sonora eletrônica contribui para essa atmosfera analítica, pontuando as cenas.
Tenso , dinâmico, bem dirigido e atuado, Contágio é um retrato bem realista do que seria uma epidemia dessas proporções.
É assustador acompanhar os closes em fechaduras, portas, janelas e apertos de mão impostos por Soderbergh. Maníacos por limpeza terão um orgasmo (ou in infarto).
"Assustador". É isso: Contágio é o melhor filme de terror que surgiu em 2011. Veja e saia correndo para comprar um potinho de álcool em gel.
Por Vicente Concílio: Steven Soderbergh é um diretor que faz muitos filmes experimentais , mas que também construiu uma carreira cheia de filmes comerciais. Foi ele quem alçou J.Lo ao posto de “atriz possível”, com o policial Irresistível Paixão; foi ele quem encheu a tela com o charme dos ternos Armani e muita jogatina na série iniciada com “11 Homens e um segredo” e foi ele quem ofereceu a Julia Roberts o papel que lhe rendeu o Oscar, em Erin Brockovich, no mesmo ano em que ele recebeu o seu, de direção, por Traffic. Esse trânsito entre o comercial e o experimental faz dele um diretor de sucessos interessantes, em que sua marca autoral está sempre evidente, destacando a sua obra daquele monte de obras produzidas a toque de caixa pela indústria americana.
+TRAFFIC
=CONTÁGIO
COMENTÁRIOS:Por Malcon Bauer: Onze Homens e um Ebola. Quando vemos o elenco de Contágio, essa idéia pode vir à cabeça. Mas não se preocupe, que desta vez o diretor Steven Soderbergh voltou ao estilo do consagrado Traffic. Ou seja: ele destrincha em todos os complexos meandros uma situação que envolve extremos (neste caso, o surgimento e evolução de uma crise mundial envolvendo um vírus transmissível pelo toque).
O elenco é mesmo estelar. Temos Matt Damon (Gênio Indomável), Gwyneth Paltrow (Shakespeare Apaixonado), Marion Cotillard (Piaf), Kate Winslet (O Leitor), Jude Law (Alfie – O Sedutor) e Laurence Fishburne (Matrix). De tirar o folêgo.
E o roteiro não tem o menor pudor em eliminar grandes estrelas com poucos minutos de projeção. Poucos diretores, como Soderbergh, tem prestígio para isso.
Acompanhamos a crise do ponto de vista do homem comum, dos militares, de um blogueiro alarmista e de médicos que tentam lidar com a gravidade do vírus.
Uma das grandes virtudes de Soderbergh é não se entregar ao dramalhão. Os momentos dramáticos existem, mas inseridos numa narrativa que se preocupa muito mais em mostrar com frieza todas as etapas da epidemia. A trilha sonora eletrônica contribui para essa atmosfera analítica, pontuando as cenas.
Tenso , dinâmico, bem dirigido e atuado, Contágio é um retrato bem realista do que seria uma epidemia dessas proporções.
É assustador acompanhar os closes em fechaduras, portas, janelas e apertos de mão impostos por Soderbergh. Maníacos por limpeza terão um orgasmo (ou in infarto).
"Assustador". É isso: Contágio é o melhor filme de terror que surgiu em 2011. Veja e saia correndo para comprar um potinho de álcool em gel.
Por Vicente Concílio: Steven Soderbergh é um diretor que faz muitos filmes experimentais , mas que também construiu uma carreira cheia de filmes comerciais. Foi ele quem alçou J.Lo ao posto de “atriz possível”, com o policial Irresistível Paixão; foi ele quem encheu a tela com o charme dos ternos Armani e muita jogatina na série iniciada com “11 Homens e um segredo” e foi ele quem ofereceu a Julia Roberts o papel que lhe rendeu o Oscar, em Erin Brockovich, no mesmo ano em que ele recebeu o seu, de direção, por Traffic. Esse trânsito entre o comercial e o experimental faz dele um diretor de sucessos interessantes, em que sua marca autoral está sempre evidente, destacando a sua obra daquele monte de obras produzidas a toque de caixa pela indústria americana.
Erin Brockovich tinha tudo para ser um Norma Rae dos anos 2000, mas a maneira como o roteiro e a direção constroem sua protagonista, com uma certa frieza analítica no tratamento das cenas e o cuidado em evitar que um tom emocionalista transborde ao longo das sequências fazem do filme algo maior que um telefilme biográfico.
Algo semelhante acontece neste filme Contágio. A história não apresenta nada de novo. Trata-se de mais um suspense sobre o surgimento de um vírus mortal que se espalha rapidamente pelo toque e que, até aparecer uma cura, vai provocar terror e medo na humanidade. Já vimos essa história diversas vezes, em Epidemia, Blindness e até em Eu sou a lenda. Mas a maneira pela qual ela nos é contada aqui faz toda diferença. Sob a forma de um thriller de combate ao vírus, o filme acaba abordando muitos outros temas. Assim ele revela as diversas instâncias políticas que lidam com o fato, montando um instigante panorama no qual acompanhamos vítimas e seus familiares, políticos, cientistas, médicos e jornalistas, todos lidando com a iminência de uma calamidade e, enfim, da própria morte. Chama atenção o fato de que o elenco estelar, do qual fazem parte figuras do porte de Kate Winslet e Marion Cotillard, atua na mais sutil naturalidade. O filme extrai sua força exatamente por não colocar os atores em cenas de alta voltagem dramática, o que certamente frustra, mas contribui para a natureza gélida da obra, que pende mais para um protocolo científico do que para um drama apocalíptico.
São duas horas de incômodo e satisfação que só obras instigantes podem proporcionar.
Algo semelhante acontece neste filme Contágio. A história não apresenta nada de novo. Trata-se de mais um suspense sobre o surgimento de um vírus mortal que se espalha rapidamente pelo toque e que, até aparecer uma cura, vai provocar terror e medo na humanidade. Já vimos essa história diversas vezes, em Epidemia, Blindness e até em Eu sou a lenda. Mas a maneira pela qual ela nos é contada aqui faz toda diferença. Sob a forma de um thriller de combate ao vírus, o filme acaba abordando muitos outros temas. Assim ele revela as diversas instâncias políticas que lidam com o fato, montando um instigante panorama no qual acompanhamos vítimas e seus familiares, políticos, cientistas, médicos e jornalistas, todos lidando com a iminência de uma calamidade e, enfim, da própria morte. Chama atenção o fato de que o elenco estelar, do qual fazem parte figuras do porte de Kate Winslet e Marion Cotillard, atua na mais sutil naturalidade. O filme extrai sua força exatamente por não colocar os atores em cenas de alta voltagem dramática, o que certamente frustra, mas contribui para a natureza gélida da obra, que pende mais para um protocolo científico do que para um drama apocalíptico.
São duas horas de incômodo e satisfação que só obras instigantes podem proporcionar.
quarta-feira, 7 de setembro de 2011
SUSPENSE - PARTE 08
ESQUECERAM DE MIM
+
TUBARÃO
=
MAR ABERTO
COMENTÁRIO: Um casal sai numa excursão para fazer mergulho no meio do mar e é esquecido. Agora, eles precisam tentar sobreviver ao frio, ao cansaço e e ao iminente ataque de tubarões.
Com esta trama simples, Mar Aberto prometia muita tensão com um orçamento irrisório. Contando com apenas dois atores durante a maior parte do tempo (Daniel Travis e Blanchard Ryan), o filme começa bem, apresentando a dinâmica do casal com grande naturalidade.
Quando o desastre acontece e eles se vêem abandonados no meio do oceano, o roteiro começa a exigir mais deles. Explosões de medo, raiva e desespero alternam-se com o ataque do cardume de tubarões que se arma contra o casal.
Porém, apesar do bom trabalho dos atores, o filme acaba perdendo ritmo e mostrando-se incapaz de segurar o suspense até o final da projeção.
E após um começo interessante e boas cenas de drama psicológico, o final soa óbvio e frustrante.
Vale pela experiência de se imaginar naquela imensidão claustrofóbica. Essa idéia assusta muito mais do que o filme em si.
+TUBARÃO
=MAR ABERTO
COMENTÁRIO: Um casal sai numa excursão para fazer mergulho no meio do mar e é esquecido. Agora, eles precisam tentar sobreviver ao frio, ao cansaço e e ao iminente ataque de tubarões.Com esta trama simples, Mar Aberto prometia muita tensão com um orçamento irrisório. Contando com apenas dois atores durante a maior parte do tempo (Daniel Travis e Blanchard Ryan), o filme começa bem, apresentando a dinâmica do casal com grande naturalidade.
Quando o desastre acontece e eles se vêem abandonados no meio do oceano, o roteiro começa a exigir mais deles. Explosões de medo, raiva e desespero alternam-se com o ataque do cardume de tubarões que se arma contra o casal.
Porém, apesar do bom trabalho dos atores, o filme acaba perdendo ritmo e mostrando-se incapaz de segurar o suspense até o final da projeção.
E após um começo interessante e boas cenas de drama psicológico, o final soa óbvio e frustrante.
Vale pela experiência de se imaginar naquela imensidão claustrofóbica. Essa idéia assusta muito mais do que o filme em si.
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